multiplicar

Como nos annos mais proximos á Conquista todos os moradorez principaes de Santos, e Saõ Vicente, se aplicavaõ a lavoura, grassou a plantaçaõ das Canas com tanta felicidade, que antes de muito tempo se multiplicarão os Engenhos no destricto de ambas as Villas (SPO, 1796, 03, 970).

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multiplicarão (1).

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1

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São Paulo

Transcrição

||3r.|| 1.A Capitania de Saõ Vicente taõ celebre | noutro tempo, eagora taõ desconhecida, que nem onome primitivo conserva para memoria | de sua antiga existencia, foi amaior entre asdez grandes Provinciaz, emque ElRey | Dom Ioaõ terceiro dividio anova Luzitania, etambem aprimeira, que sepovoou, naõ obs=| tante satisfazerem-se alguns Historiadores com aporem naclasse dastres mais | antigaz. As suas rivaez, nesta gloria, saõ asduas deParnambuco, eEx=| pirito Santo: Seellas, com effeito, tiveraõ sido conquistadas nos annos, que | apontão os Authorez, naõ selhespoderia negar apreferencia; mas naõ saõ verda=| deiras as epocas Comũas dassuas fundaçoens, a respeito dasquaes seengana=| rão os ditos Authorez (a) assim como seequivocaraõ todos elles em ordem aPovoa=| ção deSaõ vicente, dando-lhe principio mais antigo, doque oanno de 1530, | noqual seu Fundador ogrande Martim Afonso deSouza, sem controver=| sia alguma, ainda se achava emLisboa, dispondo-se para aviagem daAme=| rica.
Segundo OComprimento destaCapitania, aolongo daCosta do Mar, estendiasse | por espaço deCem legoaz, enaõ de Sincoenta, comodizem os Authorez sem fun=| damento algum, easua largura confinava com asterras deEspanha, comprehen=| dendo nosfundos hum Certaõ immenso de muitos centos delegoaz. As ditas | cem legoaz dasua extenção naõ eraõ continuaz, mas separadas em duas porço=| ens, nomeyodasquaes ficavão, como encravadas, dez legoas pertencentez á Capi=| tania deSanto Amaro: A primeira parte mais Septentrional era de 55 | legoaz: partia com aCapitania deSaõ Thomé, doada primeiro aPedro deGoez, | edepois aoVisconde deAsseca, hoje conhecida com onome deCampos deGuai=| tacazez: Esta porção começava noRio deMacaê 13 legoas aoNorte deCabo | Frio, evinha correndo para oSul athé oRio deCurupacê, aque agora cha=| maõ = Iuqueriquerê = fronteiro aArmaçaõ dasBaleaz deSaõ Sebastiaõ, a= ||3v.|| [[aonde]] principiavaõ as dez legoaz deSanto Amaro: Outro pedaço tinha 45 | legoas, entrava noRio deSaõ Vicente, braço doNorte, isto hé, noRio daBer=| tioga, huma dastrez Barras doPorto deSantos, efinalizava 12 legoas ao=| Sul da Ilha deCananêa emhuma dastres Barraz daVilla deParnaguá.
Terceiro Isto hé oque depropriedade pertencia aoDonatario deSaõ Vicente, Cuja | Doaçaõ consta de Cem legoas por costa; mas aSua posse chegou em algum | tempo, para oSul athé Maldonado, epara oNorte / só pelo Certaõ / athé a=| altura doCabo deSanto Agostinho pouco mais, oumenos; porque os in=| trepidos moradores daCapitania deSaõ Vicente, nos quaes, oupor força defado, | ou pordesgraça dasua Capitania, eventura das Outraz, sempre foi predo=| minante apaixaõ de conquistar, naõ satisfeitos com povoarem toda aCos=| ta doseu Donatario, eado outro deSanto Amaro seu vezinho, passaraõ a=| diante da Ilha deSanta Catharina, onde Domingos deBrito Peixoto, | natural deSaõ Vicente, fundou aVilla daAlaguna, estendendo oterreno | della athé Maldonado, por athé lá chegarem varios actos, que fes deposse | abeneficio daCoroa Portugueza.
Quarto Pelo certaõ atravessava a animozidade dos Paulistas com indiziveis | trabalhos osfundos dequazi todas asCapitanias Brazilicas, em cujos Domi=| nios, depois de afugentarem innumeraveis Gentios, descobriraõ todas as=| Minas: ecomo tudo quanto conquistavão os valerozos Naturaes das=| Villas Sugeitas á deSaõ Vicente, se reputava parte desta Capitania, che=| gou ella aapossar-se dequaze todos osfundos dos outros Donatarios. | Eis aqui a razaõ porque aCapitania deSaõ Vicente n’outro tempo pos=| suhio tudo, quanto agora abrangem osGovernos Geraes detodas as mi ||4r.|| [[as Minas]], Saõ Paulo, eRio deIaneiro, etambem osSubalternos deSanta | Catharina, eRioGrande deSaõ Pedro.
Quinto Ella conservou oapelido deSaõ Vicente athé oanno de1710, emque oSenhor | Rey Dom Ioaõ quinto deglorioza memoria foi servido crear General para Saõ Paulo, | eMinas doOuro napessoa deAntonio deAlbuquerque CoelhodeCarvalho=| desse tempo pordiante entraraõ achamar Capitania deSaõ Paulo, asque | antes sedenominavaõ deSaõ Vicente, edeSanto Amaro; sebem que parte | dasterraz Doadas aMartim Afonso ainda conservou alguns annos | onome deCapitania daConceição de Itánheen, que os Illustrissimos Descenden=| tez deMartim Afonso deraõ ao resto, que lhesficou, depois que oConde | deMonsanto, por erro, emalicia dealguns Magistrados os expoliou | dasua Villa Capital, eoutras muitas como aodiante severá. Va=| mos mais longe procurar aorigem das referidasCapitaniaz.
Sexto Depois dedescobrir Christovão Colombo aAmerica noanno de1492, | indo para asConquistas Portuguezas daAzia Pedro Alvarez Cabral, Senhor de=| Azurara, por Capitão Mór de 13 Naos, Cazualmente avistou terra des=| conhecida aos 24 deAbril de 1500, aqual, noprincipio, lhepareceo Ilha; | mas navegando aolongo daSua Costa muitos dias, evendo que continuava, | reputou-a terra firme, emandou aos Pilotos, que abuscassem. Aos 3 | deMayo, dia deSantaCruz, surgio com doze Naos / por ter huma arri=| bado para Lisboa / em certa paragem, aque deo onome dePortoSeguro.
Setimo Saltou emterra, onde foi bem recebido dosNaturaez, para render | aDeos asgraças pelo beneficio daSua felicidade, elogo mandou levan= ||4v.|| [[levantar]] huma Cruz com muita Solemnidade, efes celebrar junto aella | oSacrificio daMissa por hum Religiozo da regular Observancia. Pre=| gou nesta Occaziaõ oPadre Frei Henrique deCoimbra, que hia para a India | por Superior desete Missionarios daOrdem Serafica. A nova | Regiaõ deo Cabral oapelido deSanta Cruz, que aodepois semudou em=| Brazil pelo interesse dopáo assim chamado, decujos troncos extra=| hiraõ os Portuguezes hum licor muito estimado para tintaz vermelhas.
Aqui sedemorou aFrota hum mez; edepois deter oCapitão Mor des=| pachado para oReino aGaspar deLemos noseu Navio com avizo dofelis | descobrimento, proceguio aviagem doOriente, deixando naterra nova | dous degradados, para se instruirem nalingua dos Naturaes. (b)
Oitavo Com alvoroço, econtentamentogrande ouvio ElRey Dom Manoel ano=| ticia deste Successo, eomais cedo, que lhefoi possivel, mandou reconhecer aterra | deSantaCruz por Americo Vespucio, Florentino denasção, oqual, por me=| yo desta viagem, sefes mais conhecido, doque osDescobridores dasRegioens | principaes donovo Mundo, eperpetuou oseu nome, Comunicando-o aquar=| ta parte domesmo, que delle tomou oapelido deAmerica. Os Historia=| dores naõ declaraõ oanno, em que Vespucio partio deLisboa, mas oChronis=| ta deSanto Antonio doBrazil (c) acenta combons fundamentos, que | o Illustrissimo Ozorio quizera dizer que Americofora mandado areconhecer asCos=| tas doBrazil Naera de1502, quando escreveo odito Ozorio, que neste
anno inviara ElRey aGonçallo Coelho. Tambem quer persuadir | omesmo Author (d) que aviagem doCosmografo Florentino se re=| tardou athé oanno seguinte de 1503. Nessa parte naõ selhe=| acha razaõ, por quanto de seequivocar Ozorio a respeito donome, escre ||5r.|| [[escrevendo]] Goncallo Coelho em lugar deAmerico Vespucio, por nenhum modo | se infere que tambem errou aepoca verdadeira doSuccesso relatado.
Nono As noticias Comunicadas por Americo quando se recolheo aLisboa, | naõ podiaõ ser sufficientes para seformar ideya perfeita daRegião taõ extensa; | por isso despachou ElRey, aomesmofim, huma Esquadra deSeis Naos, epor=| Commandante dellas aGonçallo Coelho. Este Capitão examinou parte | daCosta Brazilica, edepois degastar alguns annos emdar execução ás ordens | Regias, voltou para aCorte com menos duas Embarcaçoens, que haviaõ nau=| fragado. Antes delle chegar completou oCurso deSua vida ofeliz | Rey Dom Manoel aos 13 deDezembro de1521, elhe havia Succedido seu fi=| lho Dom Ioaõ terceiro, aquem entregou Coelho a relaçaõ dosSeus exames, eeste | Soberano mandou continualos por Christovaõ Iaquez, Fidalgo da=| sua Caza.
10. Dizem os Escriptorez (e) que Christovaõ Iaquez, depois deCorrer | grande parte daCosta Brazilica, etomar varios Portos della, descobrira a=| Bahya, aque deo onome detodos osSantos; eexaminando oseu reconcavo, | encontrara noRio Paráguaçû duas Naos Francezaz, onde estavaõ res=| gatando Páo Brazil com oGentio daterra, eque as metera apique, por=| senaõ quererem render pacificamente aSua Tripulação. Daqui | naõ passaõ os Historiadorez. Hé porem certissimo, que nesta | viagem estabeleceo Christovaõ Iaquez huma Feitoria para Sua Magestade | Portugueza naterra firme, junto abarra de Itámaracâ; porque Dom Ioaõ | terceiro naCarta daDoaçaõ dePedroLopes demarca as Suas 30 legoas da=| maneira seguinte == // Eisso com tal declaração, que a 50 pas=
||5v.|| // [[passos]] daCaza daFeitoria, que deprincipio fes Christovaõ //
// Iaques pelo Rio dentro aolongo daPraya, seporá //
// hum Padraõ etcoetera.
Estas palavras demonstraõ, que aFeitoria naõ foi levantada aprimei=| ra vez pelo Donatario de Itámaracâ, quando povoou aSua Capita=| nia, mas sim pelo referido Christovaõ Iaques.
11. As noticias Comunicadas pelosComandantes sobreditos deraõ bas=| tante noçaõ daCosta Septentrional; era, porem, muito diminuto oco=| nhecimento, que tinha ElRey, dos Mares, econtinente, que demoraõ | aoSul daBahya detodos osSantos athé aoRio daPrata, aonde Somente | havia chegado Americo Vespucio, enaõ os outros Chefes Portuguezes.
Bem pode ser que nem Castelhanos houvessem ainda visto aquelle | Rio athé esse tempo; pois há fundamentos para sospeitar, que os Historia=| dores Espanhoes anteciparaõ nosSeus livros, por politica, as epocas | dosSuccessos respectivos aoRio daPrata: Os que dizem relação aMar=| tim Afonso, / enaõ saõ supostos / todos certamente aconteceraõ mais | tarde, doque afirmaõ as Historias Castelhanas. Dezejozo deCo=| nhecer esse resto, ainda naõ explorado, Ordenou Dom Ioaõ terceiro que sear=| masse huma Esquadra á Custa daSua Fazenda, eesta viesse exami=| nar aCosta doSul athé ofamozo Rio daPrata. Para Capitam Mór | della nomeou aMartim Afonso deSouza, Seu Conselheiro, aquem | recomendou, que estabelecesse huma Colonia naspartes doSul, em olu=| gar mais comodo para isso. (1)
(1) Hé sem duvida, que Martim Afonso trouce aincumbencia de
||6r.|| 12. Os Feitos heroicos deste Cavalheiro naEuropa, Azia eAmerica, e= | ternizaraõ com justiça afama doprimeiro Donatario deSaõ Vicente, cujo | nome ainda hoje respeita omundo. Elle teve agloria deconseguir lu=| gar muito distincto entre os Heroez da Illustre Familia dosSouzas, na=| qual se numeraõ tantos homens grandes, que para sefazer notavel, por suaz | acçoens, naõ bastaõ feitos relevantes, esaõ necessarias proezas mais ele=| vadas. Foi primogenito deLopo deSouza, Alcayde Mor deBragan=| ça, eSenhor doPrado, ede sua Consorte Dona Brites deAlbuquerque.
13. Logo nosprimeiros annos deo signaes evidentes deSeus expiri=| tos generozos: Havia-se hospedado emCaza deSeus Pays Gonçallo | Fernandez deCordova, por antonomazia oGraõ Capitaõ, eaodespedir-se ordenou | Lopo deSouza aeste filho, que oacompanhace athé certo lugar: Obedeceo | oMancebo, equerendo Gonçallo Fernandez agradecer oobzequio, offereceo-lhe no=| fim dajornada hum Colar demuito preço; mas ogenerozo Mancebo cor=| tezmente seescuzou de oaceitar, dizendo, que para asua escravidaõ bastava aCa=
[[depovoar]], como demonstra oAlvará deDom Ioaõ terceiro; emque Sua Magestade lheper=| mittio conceder Sesmarias aquantos vieraõ com elle, sequizessem ficar na=| terra. Tambem naõ sehade negar que era doRey aArmada, quem ler a=| Carta Regia, que nonumero 120 vay transcripta. Agora senamesma occaziaõ, eFrota, | alem das Naos daCoroa, vieraõ algumas Embarcaçoens armadas por Martim | Afonso com gente conduzida á sua custa para Colonos: eoutro sim, SeaColonia, que | sefundasse, havia deser para oRey, ouSepara odito Martim Afonso, saõ dous pontos | duvidozos, naõ obstante darem por certo osAutores, que ja era Donatario quando partio | deLisboa; armando á sua custa aexpedição, eviera com odestino depovoar aSua | Capitania.
||6v.|| [[aCadeya]] Com que oprendera abenignidade doDoador. Este admirado dobrio, | ediscripção do moço, rogou-lhe que aomenos aceitasse asua espada, oque aceitou | Martim Afonso, esempre aestimou, por ser instrumento, Comque Gonçallo | Fernandez conseguio onome deGrão Capitaõ.
14 Deixou aCorte doDuque deBragança, aquem servia seu Pay, etrocou-a | pela doRey Dom Manoel. A hum amigo, que lhe estranhou anovidade res=| pondeo: ODuque pode fazer-me Alcayde Mor, ElRey pode fazer me Duque
Por ser ainda Mancebo nesse tempo, servio depagem aoPrincipe, que aodepois | Subio aoThrono com onome deDom Ioaõ terceiro. Por certo motivo, que sentio, au=| zentouce para Salamanca, eali secazou com huma Senhora Castelhana por no=| me Dona Anna Pimentel, aqual trouce consigo para Portugal. Era muito | discreta, edella seconta, que dizendo-lhe aRaynha Dona Catharina, quando seu ma=| rido estava governando a India = Dizem-me que fazeis humas Cazaz | muito formozas, para quando vier Martim Afonso? == respondera == Se=| nhora, seelle vier pobre, asque agora temos nos bastão, esevier rico, devemo=| rar noLimoeiro. Quando voltou deCastella para Portugal, já governava | oPrincipe seu amo. Este tornou aadmitilo aoseu Serviço, eSempre | fes delle grande apreço, assim pela sua qualidade, como por attenção aoCon=| de deCastanheira Dom Antonio deAtayde, Primo deMartim Afonso, | evalido doRey (f)
15 Este foi escolhido, para Comandar aEsquadra Conquistadora deSaõ | Vicente. Naõ sepode rezolver seMartim Afonso nesse tempo já | tinha feito alguma viagem á India. OPadre Mestre Francisco deSanta | Maria noseu anno historico, dia 21 deJulho, afirma que seachava emLisboa ||7r.|| [[de]] volta doOriente, para onde tinha hido em 1534, com emprego deCapitão | Mor, quando ElRey omandou aproceguir oDescobrimento daCosta danova | Luzitania; (g) porem este Sabio Padre notoriamente seenganou, quando escreveo, | que aviagem doBrazil fora posterior á da India naera de1534, pois | elle mesmodis, que antes disso noanno de1532, descobrira Martim Afonso | oRio de Ianeiro (h) O Autor daAmerica Portugueza aSevera, que opri=| meiro Donatario deSaõ Vicente tinha obrado proezas na India, quando | Dom Ioaõ terceiro lhefes mercê desta Capitania. (i) O Padre Iaboatão dis | ocontrario, easegura, que Martim Afonso naõ passou aAzia mais deduas | vezes; huma noanno de1534, comoPosto deCapitão Mor, eoutra na=| era de 1541, com oCargo deViceRey, eambas depois deter vindo ao=| Brazil, epovoado Saõ Vicente. (L) Nesta materia só sepode aSe=| gurar, que veyo ao Brazil, antes dehir a India, senaõ fes alguma viagem | para oOriente, antes de Navegar para aAzia com oPosto deCapitam Mor | em 1534
16. Nas vesporas dasua partida lhe concedeo Dom Ioaõ terceiro afacul=| dade depassar Sesmarias por hum Alvará, deque seconservaõ tresCopias | autenticaz, ingeridas nasSesmariaz dePedro deGoes, Francisco Pinto, | eRuy Pinto, cujo Alvará foi passado naVilla deCrato aos 20 denovembro de | 1530. (m)
17. Naõ obstante dizer Sua Magestade somente nodito Alvará, que inviava | aMartim Afonso por seu Capitam Mor, hé certo, que tambem ofes Governador.
Assim secolige dotitulo, que lhedá oTabeliaõ deSaõ Vicente noauto | deposse dasterras doEngenho daMadre deDeos, conferida aPedro deGoes | aos 15 deoutubro de1532, ondeseachaõ aspalavras seguintes.
// Decertas terraz, que omeu magnificoSenhor, oSenhor Martim //
||7v.|| // [[Martim]] Afonso deSouza doConselho delRey Nosso Senhor //
// eGovernador emtodas estas terras doBrazil.......//
// Testemunhas, que atodos foraõ prezentes... PedroGonçalvez que veyo //
// por homem d’Armas dessa Armada, emque veyo porCapitam //
// Mor odito Senhor Governador. (n)
Isto mais seconfirma com aCarta deSesmaria deRuy Pinto, aqual princi=| pia damaneira seguinte.
// Martim Afonso deSouza doConselho del Rey Nosso //
// Senhor, eGovernador dasterras doBrazil. (o) .... //
18. Naõ foi pequena felecidade descobrir-se o referido Alvará, doqual | ninguem tinha noticia, eserve de monumento, para seconhecer oanno, emque | Martim Afonso sahio deLisboa para oBrazil, econvence defalsa aopiniaõ Co=| mũa dos Historiadores nascionaes, eestrangeiros, osquais todos Supoem aCon=| quista deSaõ Vicente mais antiga, doque na realidade foi, excepto oAbade | Valemont, que seguio opiniaõ muito contraria. Varios Francezes, eEspanho=| es supoem povoada aCapitania deSaõ Vicente noanno de 1516, quando relatão | afabuloza Historia deAleixo Garcia; eoPadre Iaboatão acenta, que Martim | Afonso veyo em 1525. (p) mas nem este Portugues, nem os mais Es=| trangeiros acertaraõ com a epoca verdadeira, eatodos elles seopoem | adata doAlvará aSignado aos 20 denovembro de1530, nas vesporas davia=| gem doCapitaõ Mor Conquistador, como indicão aspalavras doRey:
// Que Martim Afonso deSouza do meu Conselho //
// achar, oudescobrir naterra doBrazil, onde eu invio.//
19. Tambem não hé compativel amesma data com afabula com ||8r.|| [[Composta]], ou aomenos publicada pelo Iezuita Charlevoix, quando diz, que | Ruy Moschera noanno de 1530 derrotara nasvezinhanças daCananêa 80 | Portuguezes mandados deSaõ Vicente áquelle Certaõ peloGovernador Geral | doBrazil / com este titulo falla deMartim Afonso / Naõ tem final=| mente compatibilidade alguma adata doAlvará, com oque alegou Ieronimo | Leitão á Camara deSaõ Vicente em 1580, dizendo que Martim Afonso con=| cedera aAntonio Rodriguez asterras fronteiras aTumiarû noannode1530, | segundo consta daSua petição existente nadita Camara (q) pois ainda | dado, enaõ concedido, que aArmada Sahisse deLisboa noproprio dia, emque Sua | Magestade aSignou oAlvará emCrato, naõ podia ella chegar aSaõ Vicente nes=| se mesmo anno, suposta anoticia incontestavel, deque oRio deSaõ Vicente | foi descoberto nodia deste Santo. A Igreja ofesteja a22 de Janeiro, | eoAlvará foi datado depois de Ianeiro nomez denovembro de 1530, logo | ainda cá naõ estava adita Armada noanno, emque Sua Magestade aSig=| nou aquelle documento.
20. O Alvará com effeito demonstra, que oConquistador naõ chegou aoBra=| zil em 1530, nem antes desse tempo; mas naõ rezolve, seaquelle Chefe | partio nomesmo anno, emque selavrou este documento, ou se nalgum dosSeguintes.
O Padre Mestre FranciscodeSanta Maria supoem que Martim Afonso Sahio | deLisboa em 1531, quando refere, que oRio deIaneiro foi por elle descoberto no=| primeiro dia doanno de 1532, mas certo anonimo debom criterio em varios | lugares deSeus manuscriptos afirma, que dera principio á viagem nofim | de 1530, eaportara emSaõ Vicente aos 22 de Ianeiro de 1531, oque secomprova | com aCarta escripta por Dom Ioaõ terceiro em reposta deOutra, que doBrazil lhedi=| rigio Martim Afonso: AdeSua Magestade foi datada aos 28 desetembro ||8v.|| [[de]] 1532, enella diz oRey:
// Vi asCartas, que me escrevestes por Ioaõ deSouza, epor elle soube da= //
// vossa chegada aessa terra doBrazil, ecomo hieis correndo aCosta //
// Caminho doRio daPrata.... Porque folgaria saber as mais no= //
// vas devós, edoque lá tendes feito, tinha mandado oanno passado //
// fazer prestes hum Navio para setornar Ioaõ deSouza para vos. //
21. Naõ declara Sua Magestade expressamente oanno, emque recebeo aCarta, mas | isto seinfere com amayor evidencia delle aseverar, que noanno passado mandara ar=| mar hum Navio, emque tornasse para oBrazil oportador Ioaõ deSouza. Se, pois, | noanno de 1532 diz oRey, que nopassado determinara avolta dequem lhe levou | aCarta, seguesse que arecebeo noprecedente de 1531, epor legitima concequen=| cia já nesse anno de1531 estava Martim Afonso em Saõ Vicente; eporque | ainda naõ tinha sahido daCorte aos 20 denovembro de1530, emque sepassou oAlva=| rá Citado, hé evidente, que aArmada sahio depois de 20 denovembro de 1530, e=| chegou aoRio deIaneiro noprimeiro dia doanno de1531.
22. Asseguraõ os nossos Historiadorez, que oCapitam Mór daEsquadra era Donata=| rio quando partio doReino; afirmaõ que omotivo principal daSua viagem, | fora povoar aSua Capitania; daõ por certo, que aSua custa apromptara toda | aArmada; dizem, que nella conduzira Cazaes; acrescentão, que seu Irmaõ Pe=| droLopes tambem era Donatario nesse tempo; contão finalmente, que veyo com=| Martim Afonso, enessa occaziaõ povoou aCapitania deSanto Amaro, cu=| jas noticias, parecendo veridicaz em outro tempo, semostraõ falsas nas se=| guintes reflexoens.
23. Nenhum dos Autorez dá anoticia deter Martim Afonso pelejado ||9r.|| [[com]] Francezez nodecurso da sua viagem; porem hé certo, que encontrou Corsa= | rios desta Nasçaõ, eos obrigou arenderem-se: depois dechegar aSaõ Vicente, man=| dou para oReino huma das Naos aprezadas. Isto consta daCarta, que ElRey | lhe escreveo, como sepode ver adiante numero 120: ignoraõ-se porem omotivo da=| Batalha, eolugar doCombate.
24. Comfelis, ebreve Navegação chegou a 23 graos, ou 23, e 11 minutos de=| Latitude meridional, como querem outros: nesta altura foraõ aparecendo serras | altissimaz nocontinente, evarias Ilhas no Mar. Ordenou oCapitam Mór | aos Pilotos, que seaproximassem á Costa, enoprimeiro de Ianeiro de1531 divizou hum | boqueiraõ, por todos oslados cercado dehorriveis penhascos, enomeyodelle hu=| ma grande lage, que dividindo as agoas emduas partes, forma outras tantas | barras, ou entradas para huma Bahya, que terá dediametro como oito legoas; | e 24 decircunferencia, naqual dezagoão muitos Rios. Os Naturaez | daterra chamavaõ-lhe == Nitheroý == (r) eMartim Afonso deo-lhe | onome deRio deIaneiro, por ater descoberto noprimeiro deste mez. (s)
Elle mandou que aEsquadra surgisse fora dabarra, edezembarcou junto ao-| Paõ deAssucar emhuma praya, aque por isso chamarão muito tempo == Porto | deMartim Afonso. (t) Explorando oterreno, achou-o povoado de innume=| raveis Tamoyos, Indios belicozos, edesconfiados: Logo conheceo, que só por meyo | dasArmas poderia estabelecer-se emterras desta Nasção; eporque aforça da=| sua Esquadra naõ era tanta, que alem daVictoria, aSegurasse apermanencia da-| nova Povoação, naõ quis, como prudente, expor-se acontingencia dehuma | guerra perigoza. Esta foi arazão porque naõ deo principio á Colonia | em hum Porto, eSitio taõ excelente, como odoRio de Ianeiro.
25. Discordaõ entre si os nossos Autores a respeito daviagem, emque ||9v.|| [[des]]cobrio odito Rio. Iaboataõ (u) que oachara navolta deSaõ Vi=| cente para oReino em 1532, eSanta Maria, que odescobrio nesse mes=| mo anno, porem naviagem delisboa para oBrazil. (x) Nesta | ultima circunstancia sedeve conformar com oAutor doanno historico, | porque os nomes dados por Martim Afonso aosLugares, que sevaõ se-| guindo aoSul doRio de Ianeiro, persuadem, que osfoi pondo Successiva=| mente, quem navegava doPolo arctico, para oantartico, enaõ as aves=| saz. As agoas, e Ilhas denominadas pelo referidoCapitão ex=| istem naCosta pela mesma ordem, que noCalendario estaõ osdias dos=| Santos, cujos saõ os nomez postos por Martim Afonso. Depois do=| primeiro de Janeiro seguesse odia deReys aSeis; odeSaõ Sebastiaõ a=| 20; odeSaõ Vicente a 22; damesma Sorte nesta Costa, eCaminho do=| Sul, primeiro está oRio deIaneiro, logo Angra dosReys, mais adiante a=| Ilha deSaõ Sebastiaõ, eultimamente adeSaõ Vicente.
26. Outro sim mal podia aquelle grande homem descobrir oRio de Ianeiro | neste mez, hindo devolta para oReino em 1532, porque noCampo dePirátinin=| ga aSignou aSesmaria dePedro deGoez aos 10 deoutubro dodito anno de 1532, e=| naVilla deSaõ Vicente adeFranciscoPinto aos 4 deMarço de 1533, eassim | fica demonstrado, que naõ voltou para oReino em Ianeiro de1532.
27. Com odezengano deque lhe naõ era possivel fundar asua Colonia | noRio de Ianeiro, mandou levantar as Ancoraz, eSeguio oCaminho de Oeste.
Depois deter navegado quatro legoas descobrio abarra dasToyucas, que | desprezou por naõ ser Capaz, nem deEmbarcaçoens medianas: pela mes=| ma razão naõ tomou abarra deGuaratyba, outras quatro legoas distante ||10r.|| [[da]]mencionada dasToyucaz. Costeou a Ilha, ou restinga daMaramba= | ya, que só tem 5 legoas deComprido, (z) enaõ 14 como escreve Pita, (a) e=| mais adiante avistou huma Ilha, que demora naaltura de 23 graos, e 19 mi=| nutos, áqual deo onome de Ilha grande por serem menores outras muitas, que | povoaõ oseu contorno. Entre ella, eomorro daMarambaya, formou a=| natureza huma barra admiravel com largura deduas legoas: por aqui | entrou aArmada, eachouce dentro dehuma Enseada muito espaçoza, | aque oCapitaõ denominou Angra dosReys por ter chegado aella em Seis | de Ianeiro.
28. Naterra firme defronte da Ilha grande, entre asVillas de Paratý, | edeAngra dosReys, mora o celebre frade bem conhecido dos Moradores, eNave=| gantes daCosta: elle hé huma ponta mais alta daSerra, que vista delonge | parece hum Franciscano com oCapelo naCabeça; eesta semelhança foi a=| cauza delhe chamarem ofrade, edelle proveyo onome doRio, aque chamaõ do=| frade.
29. De Angra dosReys sahio aEsquadra pela outra barra tambem | excelente doCairuçû, efoi continuando aderrota athé a Ilha dosPorcos, aque huma | Sesmaria antiga chama Tapera deCunhanbeba, por nella ter existido huma | Aldeya, deque era Cacique Cunhanbeba, aquelle Indio, que naSua Canoa | Conduzio para Saõ Vicente aoPadre Ioze deAnchieta, quando voltava de Ipe=| roýg, onde fora Solicitar, eajustar aspazes com osTamoyos deUbatyba, | eLarangeiras. (b) Passou avante da Ilhados Porcos, edeixando amão | direita aEnseada dos Maramomis, ouGuarámomis, como escrevem alguns, | avistou huma Ilha alta nalatitude de vinte etresgraos, equarenta mi=| nutos, aqual deo oapelido deSaõ Sebastião, pordelle rezar a Igreja nesse ||10v.|| [[dia]]: depois depassar esta Ilha, foi continuando aviagem por espaço demais | dedoze legoas, como querem osvezinhos, oude oito, segundo escreve Pimentel; (c) | ecomo oReligiozo Donatario Costumava aSignalar oslugares mais notaveis | com os nomes dosSantos, cujos eraõ osdias, emque aelles chegava aprimeira vez, | demarcou com otitulo deRio deSaõ Vicente abarra por onde entrou nodia deste | Martyr gloriozo, que escolheo para Patrono daSua Colonia.
30. OTerritorio desta barra destinguiraõ os Indios com oapelido Buri=| quioca, que quer dizer Caza deMacacos, ehoje transmutado Bertioga.
31. Este Territorio, etoda aCosta circumvezinha, assim para oNorte, como para | oSul, pertencia avarias Aldeyaz situadas noCampo sobre asSerraz: as I=| lhas deSaõ Vicente, eSanto Amaro, etambem aterra firme adjacente, esuas pra=| yas, deffendiaõ os Indioz pela unica conveniencia denellas pescarem, emarisca=| rem Ostras, eBerbigoens. As Conxas arrumavaõ ahuma parte dolu=| gar, aonde estavaõ congregados, ecom ellas formarão montoens taõ grandez, | que parecem Oiteiros, aquem agora osvé adornados deArvoredos grandissi=| mos.
32. Daqui nasceo escreverem alguns Autorez, que hé mineral amate=| ria, deque sefas aCal em varias partes daAmerica. Enganaraõ-se, maz | com desculpa, porque aterra conduzida pelas agoas, eventos para cima | daquelles montoens, formou sobre elles osgrossos Cristaes, edamesma | Sorte produzio oarvoredo referido.
33. A Barra daBertioga demora entre aterra firme, que vay ||11r.|| [[correndo]] dabanda doRio de Ianeiro, ehuma Ilha dequatro, ouSinco legoas, | aque chamaõ deSanto Amaro. Aonde acaba esta Ilha, que corre para | Oeste, principia huma Enseada deduas legoas delargo, enella dezagoa o=| lagamar deSantos porduas barraz: aprimeira chamaõ Barra grande, ea=| outra Barra deSaõ Vicente, por ficar junto desta Villa, por onde dizem | entrara aEsquadra deMartim Afonso, ehoje hé somente Capaz deCanoas.
34. Nada disto seconforma com averdade; porque nem aEsquadra en=| trou pelaBarra deSaõ Vicente, nem ella sedeteriorou, comodizem, porque | Pescadores velhos, que por aly passavão, sendo rapazes, aSeguraõ, que nunca | aviraõ com mais agora doque agora.
35 O manuscripto deDionizio daCosta diz, (d) que aentrada foi pela | Bertioga, oque dita aboa rezaõ, econtesta aFortaleza, que Martim Afonso | mandou levantar naquelle Porto quando saltou emterra; ecomo aEsquadra | vinha doRio de Ianeiro explorando aCosta, primeiro havia dedescobrir abarra | daBertioga, que hé amais Septentrional detodas, earezaõ persuade, que en=| traraõ por ella naSupozição, deque era unica, por ignorarem osPilotos, nesse | tempo, que mais adiante ficava agrande.
36. Naõ hé excogitavel razão, que movesse aoChefe daEsquadra aan=| tepor huma barra perigozissima aoutra excelente: Se ointroito foi pela ter=| ceira barra, porque não dezembarcou agente nomesmo lugar, onde aodepois se=| fundou aprimeira Villa? Todos confessaõ, que osConquistadorez dezembarca=| raõ, esefortificaraõ naTorre daBertioga: isto Suposto, para seacreditar, | que primeiro entrarão pela terceira barra, hé necessario crer, que Martim ||11v.|| [[Afonso]] passou pelaprimeira daBertioga muito sufficiente, enaõ quis Ser=| vir-se della; que depropozito naõ quis entrar pela segunda domeyo perfeitis=| sima, efoi introduzir-se pela terceira deSaõ Vicente perigozissima.
37. Ainda teimaõ alguns moradores daquella Villa, que todos os Navios | antigamente entravaõ pela sua barra, edavaõ fundo noPorto deTumiarû: | Confirmaõ esta noticia, mostrando daOutra banda, naterra firme, os ali=| cer-ses dehum edifficio, aque chamaõ Trapiche velho, edizem, que este | era aCaza daAlfandega, onde sedespachavaõ asCargas dasEmbarcaçoens.
Averigoando-se depois, que os antigos chamavaõ Trapiches asCa=| zas, onde sefas Assucar, eoutro sim, que as ruinas saõ hum Engenho, | que ali teve IeronimoLeitão, pelo termodelicença, que elle pedio aCama=| ra, eoPovo lhe concedeo aos 14 deAgosto de 1580, para naquelle sitio eri=| gir hum Trapiche com caza depurgar, eCapella, (e) epor ser extenso | otermo vay transcripto somente otitulo, oqual diz assim.
// Auto que os Officiaes daCamara mandaraõ fazer decomo //
// OSenhor Capitam IeronimoLeitão pedio licença, para fazer //
// hum Trapiche emterras doConselho dabanda dalem. //
38. Este documento mostra que osvestigios naõ saõ deAlfandega, e=| com outrodocumento semostra, que nosprimeiros annos entravaõ asNaos | pela Barra domeyo, aque hoje sechama deSantos, eancoravaõ junto | afós, ouBarra doRio deSanto Amaro deGuaibe defronte pouco | mais, oumenos dolugar, onde agora vemos aFortaleza, ouEstacada | doCrasto. O tal documento hé aSesmaria dasterras, onde aode=| pois sefes, eagora existe aFortaleza grande deSanto Amaro: passou ||12r.|| [[a]]Gonçallo Monteiro naVilla deSaõ Vicente noultimo deDezembro | de 1536: asterras foraõ concedidaz aEstevaõ daCosta, eoCapitaõ confron=| tou-as desta maneira.
// DaIlha deGuaibe, onde hé oPorto dasNaos defronte desta //
// Ilha deSaõ Vicente, onde estamos todos...., edabanda doSul //
// partem com abarra, ePorto dadita Ilha deGuaibe, edesta de //
// Saõ Vicente, que hé donde ancorão asNaos, quando vem //
// para este Porto deSaõ Vicente.
39. Consta mais que noPorto deGuaibe, comũm para ambas as Ilhas, | ancoravaõ asNaos, que vinhaõ para Saõ vicente: Logo naõ surgiaõ noPor=| to deTumiarû duas legoas, oumais distante doPorto deSanto Amaro.
40. Dapetição feita por IeronimoLeitão, quando pedio licença, para | edifficar oseu Trapiche, consta que Martim Afonso, dando por Sesmaria | aoVelho Antonio Rodriguez asterras fronteiraz aTumiarû, rezervara hum | pedaço dellas, para ahy secrenarem as Embarcaçoens. As palavras doSuplicante | foraõ asSeguintez.
// Martim Afonso .... deo nadita terra aoConselho hum tiro //
// de arco em roda para varadouro dos Navios, porque naquelle //
// tempo parece, que varavaõ aly.
41. Para varadouro deOutras Embarcaçoens menorez hé que Mar=| tim Afonso rezervou otiro dearco em roda. Naõ pareça insignifican=| te aoLeitor aaveriguação dabarra, por onde entrou aArmada, porque | aessa deo Martim Afonso onome deRio deSaõ Vicente. <42>.
||12v.|| [[42.]] Huma dasfabulas introduzidas nahistoria destas Capitaniaz | tem por objecto aopozição, que dizem, fizeraõ osGuayanazez aoznossos pri=| meiros Conquistadores. Pita, mais doque todos, exagerou asporfiadaz | Guerraz deMartim Afonso com os Naturaes daterra, naõ duvidando ase=| gurar, que aeste Capitão taõ conhecido, por suas Victorias, fora necessario | Valer-se detodo oseu exforso, para vencer aContumacia, comque lhe rezi[s]tirão | osditos Guayanazes. OPadre Iaboatão, (f) que sechega mais averdade, | confia, que oprimeiro Donatario naõ experimentou muitas contradiço=| ens dos Barbaros, econtudo acenta, que os expulsou aforça deArmas.
Vasconcellos diz, que aCapitania deSaõ Vicente athé otempodaSua | fundação estivera povoada de multidão deGentios, que asArmas Por=| tuguezas afugentarão para aspartes doRio daPrata. (g)
43. Seeste Chronista quis dizer, que tambem nas Ilhas deSanto | Amaro, Saõ Vicente, enaCosta mais proxima aellas, rezidiaõ Aldeyas | de Infieis, notoriamente secontradiz, pois confessa adiante, (h) que junto | aomar naõ haviaõ Povoaçoens deIndios, eporisso fora oPadre Leonardo | Nunes aoCampo dePirátininga embusca demeninos Gentios para | osdoutrinar. Nos Archivos, eSesmarias seencontrão Aldeyas | Situadas noutras partez, enenhuma namencionada Costa: aspri=| meiraz, deque asSesmariaz fazem menção, para aparte doSul, es=| tavaõ adiante doRio deItánheen, enenhuma para oNorte, antes | dechegar aEnseada dos Maramomis.
44. A espada sempre vencedora deMartim Afonso nunca | Cauzou estragos, onde não encontrou rezistencia. O respeito deIoão ||13r.|| [[Ra]]malho, ebons Officios deAntonio Rodriguez lhe conciliaraõ aamizade | dosGuayanazez, aqual elle confirmou com apontual observancia dasCondi=| çoens estipuladas. Captivou avontade dosNaturaes daterra, deffendendo | aSua liberdade, eperpetuou com attençoens afidelidade dosBarbaros, que | naõ havia de aSegurar com injustiças.
45. Como pois, naõ vio Aldeyaz nesta Costa, assim que osNavios deraõ | fundo, mandou logo examinar oterreno mais proximo abarra, noqual so=| mente acharão os exploradores algumas Cabanas dispersas, evazias.
Abarra daBertioga serve demargem Septentrional huma planicie | deterra firme, que sevai prolongando pela beira domar alto comextenção | demuitas legoas: da outra banda doSul fica huma Ilha, aque os In=| dios apelidavaõ Guaibe.
46. Ordenou Martim Afonso, que selevantasse huma Torre, para | segurança, edeffensa dosPortuguezez, nocazo deserem atacados peloGen=| tio daterra. Deo-lhe principio namencionada Ilha emhuma Praya | estreita nolugar, onde hoje existe aArmação dasBaleyas.
47. Quando aparecerão asEmbarcaçoens, edemandaraõ abarra, esta=| vaõ nomar pescando alguns Indios deSerra acima, osquais espantados | dagrandeza dos Navios, remaraõ comforça para aterra, eforão emboscar-se | nas matas, deonde sepuzeraõ aespreitar odestino daFrota. Ven=| doque ella entrara, dera fundo, elançara emterra homens brancos, | fugiraõ para oCertaõ.
48. O cacique daAldeya dosfugitivos, quando ouvio delles anoti ||13v.|| [[anoticia]], acentou que oinsulto requeria prompto Castigo, avizando logo | aos Mayoraes, seus vezinhos, para unidos expulsarem aos insolentez, que | infestavaõ assuas Prayaz. Primeiro doque aos outros, participou | anovidade aTeveriçâ, Senhor dosCampos dePirátininga, acujo regulo | toda aNasção dosGuayanazez dava algum genero deObediencia, e=| as Outras Comarcans respeitavaõ muito por ser elle oCacique mais | poderozo, eomelhor Guerreiro doseu Continente.
49. Perto deTeviriçâ morava Ioaõ Ramalho, aquelle Portugues, | que aqui chegara muitos annos antes devir Martim Afonso, edehaver | naEuropa conhecimento algum daquarta parte domundo: era | homem nobre, deexpirito Guerreiro, evalor intrepido, oqual ficando nas=| Prayas deSantos, foi achado pelos Pirátininganos, etrazendo estes para | oseu Rey Teviriçâ referido, porprovidencia deDeos seagradou delle, e=| lhedeo por espoza sua filha, que depois noBaptismo sechamou Iza=| bel, dequem teve filhos, como se colige dehuma Sesmaria, que odito | Martim Afonso lhe concedeo em 1531 na Ilha deGuaibe, quando | odito Ramalho ofoi vezitar já naPovoação deSaõ Vicente. Sendo | pois omencionado Ramalho sabedor, pelo avizo deTeviriçâ, dano=| ticia, echegada daArmada, ouvio-a com alvoroço grande, porque logo | acentou, deque ella era dePortuguezez; porque athé otempo, emque elle | sahira doReino; nenhuma outra Nasçaõ passava aLinha, julgou com=| Solido fundamento, que aEsquadra, ouArmada navegava para | oOriente, eempedida deventos contrarios arribara aBertioga.
Firme nesta opiniaõ, edezejozo deevitar aguerra, que sedispunha | contra osbrancos, Solicitou oSoccorro, onde osBarbaros buscavaõ ||14r.|| [[o aug]]mento dasSuas forçaz. Depois depersuadir aoSogro, que osfo= | rausteiros eraõ seus Nascionaes, elhes succedera omesmo, que havia a=| contecido aelle Ramalho: propos-lhe grandes conveniencias, que poderião | rezultar-lhe de receber benigno aos hospedes desconhecidos: procurou | move-lo acompadecer-se dehuns infelicez, que perseguidos dos Marez, | eventos contrarios, buscavaõ aterra com ounicofim deSalvarem asvidas, | eSuplicou-lhe apermissaõ deos hir deffender comparte doseu exercito.
50. Ouvio-o com attenção oRegulo, ecapacitado dassuas razoens, re=| zolveo finalmente amparar aos hospedes, enafrente de 500 Sagitarios | marchou para aBertioga. Naõ sedescuidava Ramalho dea=| pressar oSoccorro antes que seadiantassem os Indios das outras Nas=| çoens, eAldeyas, ederrotassem aos nossos, epor esta dispozição chegou o=| Soccorro aBertioga primeiro doque os inimigos, ecomtanta brevidade, | que apareceo noterceiro dia depois dodezembarque.
51. Iá nesse tempo estava cavalgada aArtelharia, eoForte emtermos | de rezistir: Avistaraõ-se os Indios, eoCapitão Mor deo asOrdens necessa=| riaz para huma vigoroza deffensa. Estando agente deGuerra postada | nos lugarez competentes, divizaraõ hum homem, que caminhava apassos | largos para aFortaleza, etanto que chegou adistancia, de onde pudesse ser | ouvido, levantando avós, efallando em lingoa Portugueza, entrou aCon=| gratular-se com os novatos, eapersuadir-lhes que nada temessem.
Hé inexplicavel aadmiração dos Portuguezez quando viraõ homem | branco, eouviraõ o edioma daSua patria emlugar, que Supunhão só | de Feras habitado. Dezenganaraõ-se finalmente daquella illuzão ||14v.|| [[dos]] Sentidos sobre oacontecido, eentão foi seu gosto igual aoseu espanto.
Aprezentouce Ramalho aoCapitão Mor, narrou-lhe osSuc=| cessos passados daSua vida, eaSegurou-lhe que aiñstancias Suas vi=| nha oSenhor daterra adefende-lo com os Indios, que aly via.
52. Depois de agradecer Martim Afonso este Serviço aRamalho | cheyo de admiração peloque ouvio, recebeo aTeviriçâ com os obzequios devidos a=| hum Principe, ebem feitor, dequem tantodependia obom exito daSua | viagem. Logo ajustou com elle perpetua aliança com grandes de=| monstraçoens de alegria, eestrondos deArtelharia.
53. Proceguiraõ asFestas danova aliança, eaomesmo tempo foraõ che=| gando asPatrulhas das outras Aldeyas com intençaõ dehostilizarem aos=| forausteiros; vendo porem, que osfavorecia Teviriçâ, seguiraõ oseu exem=| plo.
54. Retiraraõ-se os Indios para assuas Aldeyas, eMartim Afonso | despachou para oReino oNavio aprezado aos Francezes, noqual escreveo | aoRey por Ioaõ deSouza, dando-lhe parte deque chegara aSaõ Vicente, | ede como hia explorar o resto daCosta athé o Rio daPrata, deixando emter=| ra agente, que trazia para povoar, cujas principaes pessoas forão asSe=| guintes: Luis deGoes, cazado com Dona Catharina; Seus irmaons Pedro | deGoes, que depois foi Capitão Mor deArmada pelos annos de1533, | eGabriel deGoes, com Domingos Leitaõ, que era genro dodito Luiz | deGoes; Iorge Pires, CavalleiroFidalgo, Bras Cubas, Cavalleiro | Fidalgo, PedroCubas, seu filho, eMoço daCamera, Francisca Cubas, | Irman deBras, emulher deDiogo Gonçalvez Ferreira: Ruy Pinto, Fidal ||15r.|| [[Fidalgo]] daCaza Real, cazado com Dona Anna Pires Micel, Irmaõ deIza= | bel Pinto, mulher deNicolao deAzevedo, Fidalgo daCaza Real, Antonio | Pinto, eFranciscoPinto, efilhos deFrancisco Pinto, eoutros muitos desta | qualidade. Nesta derrota naõ só descobrio muitos Portos, Ilhas, En=| seadas, Cabos, eRios incognitos, mas tambem levantou muito[s] Padroens | para aposse, que tomara pelaCoroa dePortugal. Iunto aBarra do=| Rio daPrata na Ilha deMaldonado acentou hum Padraõ com asqui=| nas dePortugal, eSubindo por elle acima, perdeo nos baixos hum dos seus | Navios. (i)
55. Sefoi certa ahistoria, que refere Charlevoix, (L) naõ seconten=| tou Martim Afonso com explorar somente amargem Oriental deste | grande Rio, pois conta o Iezuita Francez, que achando-se Sebastiaõ Ga=| boto nasvizinhanças doRio Terceiro, 30 legoas acima deBuenos Ayres, | vira chegar a seu Campo hum Capitão Portuguez chamado DiogoGar=| cia, oqual hia reconhecer oPaiz, etomar posse em nome delRey dePor=| tugal.
56. Todos os Historiadorez concordaõ emque Martim Afonso des=| cobrio aCosta Meridional doBrazil, mas discrepaõ entre sy em algumas cir=| cunstancias. Vasconcellos, (m) diz, que depois deexaminar aCosta tê=| oRio daPrata, voltara para aaltura de 24 graos, emeyo, ealy fundara aVilla | deSaõ Vicente; pelo contrario Iaboataõ, (n) governando-se por hum ma=| nuscripto antigo, quer, que afundação precedesse alguns annos á via=| gem doRio daPrata; eacrescenta, que dando-se ElRey por mal ser=| vido deMartim Afonso sedeter empovoar aSua Capitania, enaõ ||15v.|| [[hir]] logo reconhecer aCosta, como lhe havia ordenado, ochamara á Cor=| te, eodespachara para a India com o emprego deCapitão Mor dos Ma=| res doOriente.
57 O manuscripto por onde seguiou o Padre, hé indigno decredito, | eescripto por algum ignorante dosSucessos antigos, eposterior aofacto.
Em chegando aSaõ Vicente aEsquadra, avizou oCapitaõ Mor | aSua Magestade por Ioaõ deSouza, que hia correndo aCosta athé chegar | aoRio daPrata, como severá naCarta, que vay tran[s]cripta nonumero 120.
58. Vesse naCarta, que oMonarcha Suposto dezejava, que aArmada | se recolhesse combrevidade, deixou aoarbitrio doComandante aSua volta para | oReino, ondemora no Brazil. Sepois oRey ordenou que Martim | Afonso decidisse aquestão dehir, ouficar, como havia demanda-lo reco=| lher por seter demorado? Nem sepode responder que depois desta | Ordem veyo outra contraria; porque Sua Magestade escreveo por Ioaõ de=| Souza a 28 desetembro de1532, eMartim Afonso voltou para oReino | namonção de 1533, eotempodeSeis mezes pouco mais, oumenos, | hé tempo muito breve para sahir de Lisboa Ioaõ deSouza, chegar a | Saõ Vicente, avizarem desta Villa aoSoberano, que estava enganado, man=| dar Sua Magestade recolhe-lo, hir este explorar aCosta thé oRio daPrata; voltar | para Saõ Vicente, edahi fazer viagem para aCorte. A pena, com=| que dizem castigara Dom Ioaõ terceiro adezobediencia, deque onossoCapi=| taõ nunca Cometeo Semelhante culpa: O castigo, segundo diz, oma=| nuscripto consistio em mandar Sua Magestade para a India o culpado com=| oemprego deCapitaõ Mór dos Marez doOriente. Este Cargo, que ||16r.|| [[noutro]] tempo sedava empremio degrandesServiços, eaSugeitos dequem se- | fazia muita confiança, hé prova clarissima, deque Martim Afonso sehavia | conduzido, como delle esperava seu amo.
59. O Padre Vasconcellos naõ seexplica bem nesta materia: seaSua | tenção fora persuadir, que oDonatario, antes dedezembarcar pessoa alguma da=| Armada, explorou aCosta thé oRio daPrata, faltaria averdade oChronista, por=| ser innegavel, que oCapitam emchegando aoRio deSaõ Vicente, logo deo principio ao=| Forte daBertioga, onde, desde esse tempo athé agora, sempre assistiraõ alguns | Portuguezez: nem hé prezumivel, que hum Capitam prudente, depois deestar | naterra, onde pertendia Situar aSua Colonia, expuzesse, sem motivo ur=| gente, asConsequencias dehuma Navegação taõ perigoza, como adoRio | daPrata, osColonos, que comtanto trabalho, etaõ grandesdespezas havia | conduzido doReino, naõ para examinarem aCosta; mas sim para cultiva=| rem aterra; Seporem queria dizer oPadre que Martim Afonso deo prin=| cipio aVilla deSaõ Vicente navolta, que fes doRio daPrata, emtal cazo | hé muito verocimil aSua noticia: assim oentendia oChronista | daCompanhia, epor isso sedeve conformar com elle nesta parte, assen=| tando que oConquistador naõ deo principio aVilla deSaõ Vicente quando | aqui chegou doReino, mas sim depois decorrer toda aCosta; antes | disso somente Construhio oForte daBertioga.
60. Nesta occazião entrou aArmada pela Barra grande domeyo, | edahy pordiante sempre os Navios mayores ancoravaõ junto aoRio | deSanto AmarodeGuaibe: Hé certo que oCapitam mandou passar | osColonos, que deixara naBertioga, para aIlha deSaõ Vicente, ficando ||16v.|| [[na]]deGuaibe taõ somente os Militarez necessarios para guarnecerem aFor=| taleza. Eis aqui a razão porque Gonçallo Monteiro fallando daIlha de=| Saõ Vicente naSesmaria, que atras citey numero 38. disse.
61. NaBarra grande defronte deSanto Amaro, havia terreno Capas | deCidade muito populoza; porem amayor parte deste Valle costuma ala=| gar-se notempo dasAgoas; ecomo aEsquadra chegou em Ianeiro, hum dos=| mezes deverão, quando saõ mais frequentes as Agoas, hé deprezumir, que | oCapitaõ achou alagada aPraya deEmbarê, epor isso foi abrir os alicer=| ces nofim dade Itararê. Concorria mais acircunstancia denaõ | haver fonte junto aolugar destinado para Porto; eSeali sefundasse a=| Villa, teriaõ os moradores oincomodo dehirem buscar agoa, para beberem, | á Ilha deSanto Amaro, expondo-se aoperigo datravessia daBarra.
62. Por estas razoens talvez levantou aVilla nofim daPraya de Itá=| rarê junto aoMar, ecom sua distancia doPorto deTumiarû: Olugar | daVilla naõ permittia dezembarque, epor isso mandou oCapitam Mór | abrir huma estrada, que começava emSaõ Vicente, seguia pela Praya deItárarê, | deEmbarê, ehia finalizar noSitio, onde hoje existe oForte daEstacada, qua=| ze defronte aoRio deSanto Amaro, pela qual seconduziaõ para aVilla asCar=| gas menos pezadas, eas outras pelo rio emCanoas athé Tumiarû, etodos | os edifficios, eObras publicas, que erigio, teve breve duração, porque tudo | levou O mar.
63. Noannode 1542 já naõ existia aCaza doConselho, eaPo=| voação setinha mudado para olugar, onde hoje existe, como consta deal= ||17r.|| [[de alguns]] Termos deVereaçoens desse tempo, porque osCamaristas secongre= | garaõ na Igreja deNossa Senhora daPraya porter omar levado aCaza doCon=| selho. (o) Pela mesma razão seacentou naVereação doprimeiro deIulho desse | anno fazer Caza nova para oConselho.
64. A nobreza comque Martim Afonso povoou Saõ Vicente, foi ma=| is numeroza, edistincta, doque supoem os mesmos, que della descendem; | cuja verdade ver se hia bem provada, sechegasse aSer impressa aHisto=| ria Genealogica Paulo politana, que deixou imperfeita oSargento Mor | PedroTaquez deAlmeyda, gastando naSua Compozição alguns 50 an=| nos com grande exame detodos osCartorios daCapitania assim secu=| larez, como Eccleziasticos. O Padre Frei AgostinhodeSanta Ma=| ria diz, quando falla daVilla deSantos oSeguinte. (p)
// A Villa deSantos hé huma dasquatro principaes daCapi //
// tania deSaõ Vicente, edista deSaõ Paulo 12 legoas //
// Povoou-a Martim Afonso deSouza demuito no= //
// bre gente, que consigo levou dePortugal.
As memorias antigas tendentes aoBrazil, que seachaõ noSantua=| rio Mariano, enão seencontrão em outros livros, merecem todaaatten=| çaõ, porque Seu Autor, quando escreveo ostomos - 9 - e 10 dotal Santua=| rio, tinha diante dosOlhos, eesta muitas vezes, ahistoria manuscrip=| ta doPadre Frei Vicente doSalvador: Este Religiozo veyo á Capitania | deSaõ Vicente pelos annos de 1598 naCompanhia deDom FranciscodeSou=| za, cuja Chronica escreveo por esse tempo, elevou Consigo para Portugal | em 1618. (q) Precedeo aVasconcelos, eatodos osque compuzerão ||17v.|| [[histo]]ria noBrazil.
65 O mesmo aSevera oChronista doBrazil, digo daProvincia | deSanto Antonio doBrazil, acrescentado que Martim Afonso troucera | Cazaes naSua Armada. (r)
// Com huma Esquadra deNaos á Sua custa, emque conduzio varios //
// Cazaes, emuitas pessoas nobres partio doReino etcoetera.
66. Com effeito vierão muitos Cazaes doReino, edas Ilhas, assim | daMadeira, como dos Assores, segundo consta doLivro dosRegistos | deSesmariaz, nasquaes vem aspetiçoens, que elles fizerão alegando, | que Careciaõ de mais terra, alem daque possuhiaõ, por terem chegado | suas mulherez, efilhos, oque implica com aprimeira acerssaõ devi=| rem naEsquadra primeira, esevem ainferir, que aprimeira mu=| lher branca, que passou anova Luzitania, foi ade Ioaõ Gonçalvez; mas | parece que nem esta seembarcou na Esquadra deMartim Afonso.
Em 1538 alegou oMeirinho naSua petição por estas formais | palavras == Visto como era cazado com mulher, efilhos em adita terra | passa dehum anno == Quem dis passa dehum anno, quer indi=| car menos dedous, epor esta conta chegou aprimeira mulher branca | muito depois daera de 153[1], emque Martim Afonso descobrio a | Sua Capitania.
67. Para que oLeitor possa formar alguma ideya daqualidade dospri=| meiros Colonos, bastará que se referira aspessoas, que setem encontrado | Comforo, seus filhos, eSeus Irmaons, eunicamente sefas menção dosque ||18r.|| [[re]]zidiaõ emSaõ Vicente, quando aPovoaçaõ estava naSua infancia. Fica | emSilencio hum Dom Martinho Afonso deSouza, cazado comCostodia Pinto | deMagalhaens, Pay dePedro deSouza Pinto, que naMatris deSaõ Paulo | cazou comDona Paula Martinz aos 15 deMayo de 1640, por naõ haver outra no=| ticia dotal Dom Martinho senaõ aque seacha noLivro citado deter contrahido ma=| trimonio aquelle seu filho: O prenome Dom indica que era Fidalgo illustre.
Prezumesse que era desta qualidade, eparente doDonatario o Ioaõ deSouza, | que levou aCarta, etornou porComandante dasCaravelaz; mas tambem aeste Cabo | senaõ aponta nonumero dosPovoadores Fidalgos, por naõ constar com=| certeza, que tivesse parentesco com Martim Afonso.
== Primeiro ==
68. Pedro deGoes muitas vezes setem encontrado com oCaracter deFidal=| go daCaza deSua Magestade, eassim otrata Martim Afonso naSesmaria das=| terraz fronteiras aEnguaguaçû, onde elle fes hum Engenho d’agoa | chamado daMadre deDeos; cujo titulo aodepois semudou pelo deNeves.
Elle seauzentou para oReino, depois de rezidir alguns annos nesta Capita=| nia, eofez, Sua Magestade, Donatario daCapitania deSaõ Thome, agora co=| nhecida por Guaitacazez, com extenção de 30 legoas porCosta entre asdu=| as deSaõ Vicente, eExpirito Santo. Tornou para estas partes porCapitam | Mor dehuma Armada, que estava Surta noPorto deSantos aos 8 deFe=| vereiro de 1553. (s) Supoem-se que neste anno foi povoar aSua Capi=| tania, porque veyo embusca deSeu Irmão Luis deGoes, edeSua Cunhada, | para entrarem nonumero dos Povoadores, naõ obstante escrever oPadre Iaboatão, | que depois de afugentado pelos Indios dadita Sua Capitania, navegara | para oReino, etornara aoBrazil em 1549 por Comandante daEsquadra, em=| que veyo então Thome deSouza, primeiro Governador Geral doEstado (t) Ago= ||18v.|| [[Agora]] naõ pertence averigoar sehé Suposta aviagem daquelle Fi=| dalgo aoBrazil noannode 1549, como parece ser, por naõ constar que | elle navegou para America mais deduas vezes, huma naCompanhia de=| Martim Afonso, eoutra depois deDonatario, quando povoou aSua | Capitania. Secomandou aEsquadra conductora deThome de-| Souza em 1549, depois de afugentado pelos Barbaros, que Ar=| mada foi aoutra, que veyo em 1553, eporCapitaõ Mor della omen=| sionado Pedro deGoes?
69. Emhuma Esquadra, armada aSua custa, ede outros in=| teressados, foi conquistar adita sua Capitania em 1553, oque hé | certo, enella assistio pacificamente dous annos, nofim dosquais | quebraraõ os Indios aspazez, emoveraõ-lhe guerra taõ por fiada, | que exausto degente, emais provimentos necessarios para conservar | aSua Colonia, vio-se obrigado adezamparala, eauzentar-se para | aCapitania doExpirito Santo, em Navios, que lhemandou oDo=| natario VascoFernandez Coutinho (u) Depois disso ficou aCa=| pitania deSaõ Thome no seu antigo estado, povoada detres Nas=| coens barbaras, eferocissimas, aque chamavaõ Guaitacáguaçû, | Guaitacâ Iacoritô, eGuaitacâ Mopi, athé oannode 1630, emque | os Indios deduas Aldeyas Catholicas extinguiraõ as mencionadas | tres Nasçoens, por osSuporem executorez dehum delicto, que | naõ haviaõ cometido.
70. Navegando daCidade doPorto, nesse anno, para oRio de=| Ianeiro hum Navio, areou oPiloto, efoi dar aCosta naPraya des ||19r.|| [[destes]] Tigrez humanos, que costumavaõ devorar aquantos estrangeiros | chegavaõ assuas terraz. Tiveraõ noticia donaufragio os Indios chris=| taons daAldeya deCabo Frio, pertencente á Capitania doRio deIaneiro, | eosda outra de Yrirityba, Situada nos lemites doExpirito Santo: logo | acodiraõ assim estes, como aquelles, com odestino deSoccorrerem os naufra=| gados, eSalvarem asfazendas, que omar tivesse arrojado á Praya; chegaraõ em=| occaziaõ fatal osGuaitacazes, que tambem haviaõ concorrido á Praya áa=| proveitar-se daCarga doNavio, porque naõ encontrando os Christaons das=| mencionadas duas Aldeyas Portuguezas algum naquelle sitio, ema=| liciando que os Infieis atodos haviaõ dado amorte, unidos em hum Corpo, | os atacaraõ, emataraõ aquantos ali estava.
71. Depois delhestirarem asvidas marcharaõ para oCertaõ, aco=| meteraõ todas asAldeyas, edegolaraõ aquantos nellas estavaõ, sem perdoa=| rem asexo, nem idade, para assim vingarem as mortez prezumptas dos nau=| fragantes, aos quaes naõ tinhaõ feito osBarbaros mal algum, porque em=| dando o Navio á Costa, fugiraõ temerozos, deque elles os assaltassem. Atri=| buio-se aquella desgraça donaufragio a castigo doPiloto, por ter elle affir=| mado nodecurso daviagem, que daNautica sabia mais doque Saõ Ioaõ | Baptista. (x)
72. Hé certo que antes disso aos 9 deAgosto de 1627, Martim deSá, | Pay doGeneral SalvadorCorrea deSá eBenavides, progenitor dos=| Illustrissimos Viscondes daAsseca, como procurador de Ioaõ Gomes Leitaõ, | eGil deGoes daSilveira, Donatarios daCapitania deSaõ Thome, ti=| nha dado por Sesmaria aterra existente alem doCabo deSaõ Tho ||19v.|| [[Thome]], entre os Rios Macaê, e Yguaçû, aGonçallo Correa deSá, Ma=| noelCorrea, DuarteCorrea, Miguel Ayres Maldonado, eoutros moradores | naCidade doRio de Ianeiro osquaes todos juntos pediraõ esta Data, para nella | crearem Gados. (z) Estes, eoSobredito Martim deSá, foraõ osprimeiros | Povoadores daquellasCampinas, onde introduzirão Gado vacum, eCavallar.
O dominio, epropriedade dellas conservousse muitos annos nosSuccessores dePedro | deGoes, eoSenhor Dom Pedro segundo aos 15 desetembro de 1674 deo aoVisconde deAsseca | com aextenção de 20 legoaz porCosta, declarada naCarta daDoação, que Gil deGo=| es, mortofora doReino, fizera deixação della á Coroa por lhefaltarem Ca=| bedaes para apovoar.
== Segundo ==
73. Luis deGoes, tambem Fidalgo daCaza Real, era Irmaõ doDo=| natario Pedro deGoes, emorou alguns annos naCapitania deSaõ Vicente, | para onde trouce sua mulher Dona Catharina deAndrade deAguilar. Elles | mandaraõ fazer aImagem deSanta Catharina, que hoje inda sevenera emSan=| tos, eaColocarão emhuma Capelinha, que edifficarão aopé doOuteiro | destaSanta. Os Inglezes quando roubarão aVilla deSantos, lansaraõ no=| Mar adita Imagem, aqual hé debarro; edepois demuitos annos veyo | aterra cazualmente, eextrahida pelos escravos dos Iezuitas, emhuma rede | comque estavaõ pescando. Este cazal fes viagem para fora daCapita=| nia noannode 1553, segundo consta dehuma escriptura devenda | dasCazas, onde moravaõ, lavrada naVilla deSantos aos 6 deFevereiro dodito an=| no pelo Tabeliaõ Iacome daMota, naqual declararaõ, que habitariaõ nas=| Cazas vendidas athé partir aArmada, deque era Capitam Mor Pedro | deGoes, que estava noPorto. (a) ALuis deGoes passou oEnge=| nho daMadre deDeos em vida deSeu Irmão. <== Terceiro==>
||20r.|| [[ == Terceiro == ]]
74. Sipiaõ deGoes, era filho primogenito deLuis deGoes, eveyo com= | seus Pays. No Archivo doConvento doCarmo deSantos existem os Autos dade=| manda, que Bras Cubas moveo aLuis deGoes a respeito dosConfiñs dasua Data | deGeribatyba, enelles vem huma reposta, que começa assim:
// Respondendo euSipiaõ deGoes apetição deBraz Cubas Capitaõ //
// Como filho deLuis deGoes, e deDona Catharina, eMorgado, em nome //
// demeu Pay, eMay. Etcoetera.
Este filho ainda rezidio emSantos algum tempo depois dapartida deLuis | deGoes, eDona Catharina, epor fim se retirou fugitivo para Paraguay.
== Quarto ==
75. Gabriel deGoes, dis Pedro Taques, que era irmaõ dePedro, eLuis deGoes, | eoaSevera huma escriptura, naqual declarava oTabeliaõ, que Gabriel | deGoes aSignara por Sua Cunhada Dona Catharina.
76. De algum destes procedem osGoes mais antigos daCapitania deSaõ=| Vicente: dis: mais antigos por haverem outros tambem antigos, emuito | nobres, cujo tronco veyo daIlha daMadeira com mulher, efilhos nosprimeiros | annos. A pobreza osfas hoje desconhecidos, depois de riscar dassuas memo=| rias alembrança donome dosSeus Progenitores.
== Quinto ==
77. Domingos Leitão, Fidalgo daCaza Real, emarido deDona Cecilia | deGoes, filha deLuis deGoes: dis Pedro Taques, que este cazal veyo para Saõ | Vicente emCompanhia dodito Luis deGoes. Seos consortes vierão, torna=| raõ para oReino, eforaõ morar naVilla deCastello Bom; porque Domingos | Leitão doou aSua Sobrinha Izabel Leitoa, Cazada com Diogo Rodriguez, | hum pedaço deterras doEngenho daMadre deDeos, por escriptura ||20v.|| [[lavra]]da naCorte deLisboa em 7 deFevereiro de 1575, eDoação outorgada por Dona Ceci=| lia aseu marido lavrada emCastello Bom aos 11 de Ianeiro de 1575, naqual dis | oTabeliaõ:
// Em aVilla deCastello Bom em asCazas doSenhor Domingos Leitaõ, Fidal= //
// go daCaza delRey NossoSenhor, morador nestadita Villa, eestando ahy a= //
// Senhora Dona Cecilia deGoes, sua mulher. Etcoetera.
== Sexto ==
78. Izabel Leitoa naõ sesabe com certeza, quem foraõ seus Pays; consta porem | dasobredita escriptura, que era Sobrinha doFidalgo Domingos Leitão. Asua | descendencia athé Martinho deOLiveira Leitão, eseus Irmaons, sempre foi re=| putada por huma dasprincipaes destaCapitania. Hum ramo destes | Leitoens passou para oRio de Ianeiro, etem Iazigo naCapella deSaõ Christovão | da Igreja deSaõ Bento com Campa deMarmore.
== Setimo ==
79. Antaõ Leme, Fidalgo daMadeira, parente doDonatario desta Ilha, | ede alguns Cavalheiros doReino, supoem-se que veyo namesma occaziaõ, emque | Martim Afonso mandou buscar aMadeira aplanta deCanas doces.
Naõ há noticia mais em documento algum dodito Antaõ Leme, que servio | de Iuis Ordinario emSaõ Vicente em 1544.
== Oitavo ==
80. PedroLeme, natural doFunchal, efilho deAntaõ Leme, justifi=| cou aSua qualidade emSaõ Vicente, vindo aaquella Villa deCorreição oDoutor Bras | Fragozo, Ouvidor Geral detodo oBrazil; Cuja Sentença seacha noCartorio, em=| que escrevia oTabeliaõ Simão deTolledo deAlmeyda pelos annos de1762, | ehé dotheor Seguinte. (b)
// Dom Sebastiaõ por Graça deDeos etcoetera. Façovos aSaber, que //
||21r.|| // [[pe]]rante mim, eomeu Ouvidor Geral, que aestas partes doBrazil //
// inviei com alçada, eora nella rezide emCompanhia deMem deSá //
// domeu Concelho, Capitaõ deminha Cidade doSalvador, eGovernador //
// Geral por mim emtodas asCapitanias, eterra daCosta doBrazil //
// vieraõ huns Autos deabonaçaõ com huma petiçaõ, que Pedro Leme //
// morador nesta Capitania deSaõ Vicente, fes aodito meu Ouvidor //
// Geral, dizendo em ella, que elle era filho deAntaõ Leme, natural //
// daCidade doFunchal da Ilha daMadeira, oqual Antaõ Leme //
// hé Irmão deAleixo Leme, edePero Leme, osquaes todos saõ //
// Fidalgos nos meus Livros, eportal saõ tidos, econhecidos //
// detodas aspessoas, que razaõ tem deSaber; eoutro sim que saõ //
// Irmaons deAntonia Leme, mulher dePero Afonso deAguiar //
// eDona Leonor Leme, mulher deAndre deAguiar, osquaes outro sim //
// saõ Fidalgos, primos doCapitão daIlha declarada; osquaes //
// Lemes outro Sim saõ parentes emgráo muy proximo de //
// Dom Dinis deAlmeyda, Contador Mor, edeDom Diogo deAlmeida //
// Armador Mor, edeDom Diego Cabrêra, filho deDom Henrique //
// deSouza, edeTristão Gomes daMina, edeNunoFernandez Vea //
// dor do Mestrado deSantiago, edosfilhos doCraveiro, pela //
// May delles ser outro sim Sobrinha dosditos Lemes, Pay //
// delleSuplicante, eTios, os quaes saõ tidos, ehavidos, econheci= //
// dos em os meus Reinos dePortugal por Fidalgos, pedin= //
// dome, que pelo contheûdo em adita petição lhemandasse //
// perguntar testesmunhas, eporminha Sentença ojulgasse //
// por Fidalgo, elhe mandasse guardar todas ashonras, //
// privilegios, eliberdades, que áspessoas detal qualidade //
||21v.|| // [[saõ]] concedidos, oque tudo visto, eoutras couzas melhor, emais //
// compridamente era em sua petição contheûdo, pel[a] qual //
// lhemandei, que lhefossem perguntadas astestemunhas, que //
// se em ocazo dessem, oque fes certo por inquirição dellas, //
// emandei que os Autos mefossem levados finalmente com oma= //
// is, evisto por mim com odito meu Ouvidor Geral, aCordei: //
// Que vistos estes Autos, eapetição doSuplicante, eaprova aella //
// dada, provasse ser filho deAntaõ Leme, natural daCidade //
// doFunchal da Ilha daMadeira, eSobrinho deAleixo //
// Leme, ePeroLeme, edeMariaLeme, mulher dePero //
// Afonso deAguiar, edeDona Leonor Leme, mulher de= //
// Andre deAguiar, Irmam deSeu Pay, etodas pessoas //
// Fidalgas deDom conhecido; oque tudo visto com omais //
// que dos Autos consta, ojulgo porfilho, eSobrinho, eparente //
// dosSobreditos, para atodos ser notorio, e requerer Sua //
// justiça, quando lhe cumprir, epague asCustas dos= //
// Autos. Etcoetera. Etcoetera. Antonio Rodriguez deAlmeyda, Escri= //
// vaõ daOuvidoria afes aos 2 deoutubro de 1564. == //
// Braz Fragozo.
81. Letigando PedroLeme, eSua Irmã Lucrecia Leme, Netos do Ius=| tificante comhuns Sobrinhos seus illegitimos, que pertenderaõ erdar aSeu | Pay N. Leme Irmaons dostaes Pedro, eLucrecia, ealcansando os Tios | Sentença aSeu favor, pediraõ osvencedores confirmação daSenten=| ça, ede outra dada peloDoutor Bras Fragozo, que confirmou todas Si=| maõ Alvarez delaPenha naSua proferida emSaõ Paulo aos 3 de ||22r.|| [[deMarço]] de 1640.
// Iulgo, econfirmo aosditos Suplicantes por nobres, eFidalgos, limpos //
// detoda araça demacula deIudeo, ououtra qualquer macula, denobre //
// elimpoSangue, epor taes mando sejaõ havidos, tidos, econhecidos. (c)
82. Duas vezes cazou PedroLeme, huma noFunchal comLuzia Fernandez, | daqual teve aLeonor Leme, unica filha, eoutra emSaõ Vicente comGracia | Rodriguez deMoura sem geração, efoi oprimeiro povoador daFazenda deSantaAnna; | e morreo emSaõ Paulo com testamento feito emSaõ Vicente, eaprovado pelo | Tabeliaõ Francisco deTorres aos 21 desetembro de 1592, oqual dis notermo | daaprovação: (d)
// NestasCazas doSenhor PedroLeme, Fidalgo daCaza //
// delRey NossoSenhor, onde eu publico Tabeliaõ aodiante nomeado fui etcoetera.
== Nono ==
83. Leonor Leme, filha dePedroLeme, veyo doFunchal naCompanhia | deSeu Pay, ecazou com Braz Esteves. Deste cazal procedem os Lemes da=| Caza deSanta Anna; osdaCaza doAlcaydeMor daCidade daBahya, eGuar=| daMor Geral dasMinas, osdaCaza dos Provedores daFazendaReal daCa=| pitania deSaõ Paulo, que antigamente houveraõ.
== 10, 11, 12 ==
84. Ioaõ Adorno, Francisco Adorno, ePaulo Dias Adorno, todos Ir=| maons, e naturaes de Genova; Paulo Dias Adorno passou para aCidade | daBahya, onde cazou comhuma dasfilhas deDiogo Alvarez Carámurû, | easua descendencia entra nonumero dasfamilias principaes | daquellaCapitania. OPadre Vasconcelos (e) que era Fi=| dalgo, eaSeus Irmaons Francisco, e Ioze distingue com ||22v.|| [[com oCarac]]ter denobres Genovezes. (f) Ioze Adorno cazou com Ca=| tharina Monteira, filha deChristovaõ Monteiro, eeste hé ogenro dodito | Christovaõ Monteiro, dequem falla oCapitão Mor deSanto Amaro An=| tonio Rodriguez deAlmeyda, quando dis naSesmaria concedida aoSogro. | (g)
// Eeu saber ser huma pessoa nobre, edemuita possibilidade, ecazado //
// em aterra, eter filho, efilha já cazada, outro Sim compessoa //
// muito nobre, edemuita fazenda.
Elle, eSua mulher fundaraõ, edotaraõ, naVilla deSantos, aCapella de=| Nossa Senhora daGraça, que depois doaraõ aos Religiozos doCarmo aos 24 de=| Abril de 1589. (h) Tambem fundaraõ aCapela deSanto Amaro | naIlha de Guaibe. Deste Cazal, edeFrancisco Adorno, há muitos | descendentes: O mencionado Ioze Adorno morreo com mais decem | annos, ehé oVeneravel Anciaõ, dequem conta Vasconcellos, sem nomear, | que acabara com Signaes dePredestinado. (i)
== 13 ==
85. Antonio Adorno, tambem Genovez, Irmaõ, ouSobrinho | dosSobreditos.
== 14 ==
86. Ieronimo Leitão, Irmão doFidalgo Domingos Leitão, segundo | consta dehuma escriptura devenda doEngenho daMadre deDeos, lavra=| da naVilla deSantos, por Athanazio daMota em 1588, nella declara oTa=| beliaõ, que Ieronimo Leitão, como procurador deSua Cunhada Dona Ce=| cilia deGoes, viuva deDomingosLeitão, edeSeu unicofilho Ioão | Gomes Leitão, vendia aquelle Engenho aDiogo Rodrigues, e ||23r.|| [[eao]]Senhor Adelantado.
== 15 ==
87. Balthazar Borgez, Sobrinho de IeronimoLeitão, segun=| do declara oTabeliaõ referido emhuma procuração lavrada naVilla deSantos | aos 7 deAbril de1589, aqual vem nofragmento doLivro dasSuas Notas afolha 15 Verso | 88. Cavalleiros Fidalgos, efilhos dePays desta qualidade seachaõ em=| varios Livros deregistos deSesmarias no Archivo daCamara deSaõ Vicente, | sobre que fas huma advertencia oDezembargador Antonio deVillas Bo=| as eSampaio. (L) ElRey Dom Sebastiaõ, dis elle, deo oRegimento | dosfilhamentos, deque hoje seuza annode 1572, evariando oestyllo | dosforos, que athé aly seuzavaõ, ordenou que os acrescentados senomeassem | FidalgosCavalleiros, eFidalgos Escudeiros. Desorte, que quem thé | oanno de1572 achar seus Avós nomeados por Escudeiros Fidalgos, | ouCavalleiros Fidalgos, naõ sedescontente, por que esses eraõ, emaquelle | tempo, os verdadeiros Fidalgos com acrescentamento nos Livros delRey.
== 16, 17, 18 ==
89. Ruy Pinto, FranciscoPinto, eAntonio Pinto, filhos deFrancisco | Pinto, Cavalleiro Fidalgo, edesua mulher Martha Teyxeira, eIrmaons | de Izabel Pinto, cazada com Nicoláo deAzevedo, FidalgodaCaza | Real, eSenhor daQuinta doRamaçal, emPenaguiaõ, aquem seu Sogro, | noanno de1550, constituhio procurador, para vender asterras, que er=| dara por morte deSeu filho Ruy Pinto, existentes notermodaVilla | deSantos. (m)
90. Ruy Pinto era Cavalleiro Professo daOrdem deChristo, e ||23v.|| [[ecazado]] emLisboa com Dona Anna Pires Micel: aFranciscoPinto dá | oTabeliaõ Christovaõ Dinis otratamento deCavalleiro Fidalgo, sendo elle | testemunha emhuma escriptura lavrada emSantos aos 23 deoutubro | de1573, aqual conserva oCapitaõ Ioaõ Teyxeira deCarvalho. Am=| bos vieraõ Servir aSua Magestade naEsquadra Conquistadora, edepois deCá | estarem rezolveraõ-se aficar povoando aterra, como declara Martim | Afonso nasSesmarias, que lhespassou. Antonio Pinto veyo | para aCompanhia deseus Irmaons em 1540 aliciados por Martim | Afonso, oqual lhefes mercê devarios Officios, eordenou aSeu Loco=| Tenente, que lhedesse terraz. (n) EmSaõ Vicente cazou com huma | neta de Iorge Pires, morador emSantos.
91. Deste cazal procedem osSiqueiras antigos; porque Victoria | Pinto, filha deAntonio Pinto cazou com Antonio deSiqueira, homem | nobre deOLivença, eestes foraõ osprogenitores dosditos Siqueiras | naCapitania deSaõ Paulo. Que amulher deAntonio deSiqueira | Se chamava Victoria Pinto, consta dasNotas deSaõ Paulo, nasquaes | seacha huma escriptura por onde Antonio deSiqueira, eSua mulher | Victoria Pinto venderaõ certa morada deCazas aEstevaõ Ribeiro | aos 25 desetembro de 1600, eque Antonio Pinto era sogro dodito Siqueira; decla=| rou omesmoSiqueira napetição, que fes, para lhe confirmarem huma | Data demeya legoa noCampo. (o) Embarcando-se para oReino | omencionado Antonio Pinto perdeo-se oNavio, eelle morreo afo=| gado.
== 19 ==
92. Antonio deOLiveyra foi oSegundoLoco Tenente doDonata= ||24r.|| [[doDonatario]], eoprimeiro Feitor daFazendaReal daCapitania deSaõ Vi= | cente por mercê delRey Dom Ioaõ terceiro, antes de se iñstituir olugar dePro=| vedor, quando adita Fazenda era administrada por hum Magistrado com otitulo | deFeitor. Suposto que governou aCapitania duas vezes naõ seencontra | noArchivo dasCamaras deSantos, eSaõ Vicente, nem asSuas Patentes, nem | osTermos dasposses, mas noArchivo doConvento doCarmo daVilla deSantos con=| servace hum traslado autentico dasegunda Provizão deCapitam Mor Loco-| Tenente, que lhepassou Martim Afonso emLisboa aos 28 deIaneiro de 1549, | enella dis este Donatario, que fasCapitam seu Loco Tenente, eOuvidor aAnto=| nio deOLiveyra, Cavalleiro daCaza delRey Nosso Senhor. Depois de=| concluir oprimeiro Governo, embarcouce para Portugal, de onde trouce | sua mulher Genebra Leitoa deVasconcellos, evarios filhos. Hum | delles, por nome Manoel deOLiveyra Gago, foi enterrado naCapella | Mor daMatris deSantos, enaCampa deSua Sepultura, que mudarão | para oPresbiterio, quando oladrilharão, ainda hoje selé oepitafio Se=| guinte == Aqui jas Manoel deOLiveyra Gago, humilde, eamigo | dos pobres, filho deAntonio deOLiveyra, Fidalgo, oqual noderradeiro | dia, com os mais, será resuscitado.
== 20 ==
93. Christovão deAguiar deAltero, foi Capitam Mor, edoTermo daSua | posse, que ainda existe noLivro dasVereaçoens deSaõ Vicente, lavrado na=| Vereação de 28 deMarço de1543, consta que era Cavalleiro Fidalgo.
== 21 ==
94. Antonio Rodriguez deAlmeyda, Cavalleiro Fidalgo, segundo consta | dehum documento lavrado em Lisboa naera de 1557, oqual hé aPro=| curação, que lhepassou Dona Izabel deGamboa, viuva dePedroLopes ||24v.|| [[de]]Souza, como Tutora deseu filho, osegundo Donatario deSanto Amaro, | que falesceo minino, (p) veyo naArmada deMartim Afonso, e=| depois de aqui assistir alguns annos, tornou para Portugal embusca | deSua mulher Maria Castanha, ededuas filhas, que cazaraõ em=| Santos, onde gerou aoPadre Andre deAlmeyda, aquem numeravaõ osde=| nominados Iezuitas entre os Varoens insignes em virtudes, que flore=| ceraõ naSua Provincia doBrazil. Deste religiozo fas honorifica | Commemoração oPadre Vasconcelos navida doveneravel Padre Ioaõ de=| Almeyda, foi tronco dos Almeydas, Taques, eCastanhos, ocazal deAn=| tonio Rodriguez deAlmeyda. (q)
== 22 ==
95. Bras Cubas, confirmando Martim Afonso por Carta datada | em Alcoentre aos 24 denovembro de 1551, aSesmaria, que Dona Anna Pimen=| tel havia concedido aBras Cubas, da-lhe otratamento deCavalleiro | Fidalgo. (r) Teve huma filha natural, dequem persevera descen=| dencia muito distincta, alem deOutros Cubas legitimos oriundos de | Francisca Cubas, Sobrinha deBras Cubas, que veyo daCidadedo Porto | já cazada.
== 23 ==
96. Iorge Pires sedis ser cavalleiro Fidalgo, eoque oAlvará deSeu fi=| lhamento selavrara noReinado deDom Ioaõ terceiro, como consta dodito Al=| vará, que seconservava namaõ dehum descendente deIorge Pires, mora=| dor naFreguezia deSanto Amaro.
== 24 ==
97. Pedro Colaço: Aeste Sugeito dá otitulo deCavalleiro Fidalgo | oTabeliaõ Manoel daLuz, servindo elle detestemunha emSaõ Vi= ||25r.|| [[emSaõ Vicente]] aos 22 deDezembro de 1581, najustificaçaõ, que fez Bras Cubas.
== 25 ==
98. Iorge Ferreira, segundo escreveo Taquez, naõ sedeve excluir doCa=| thalogo dosCavalleiros Fidalgos, dequem saõ oriundas muitas familias principa=| es daCidade deSaõ Paulo. Riode Ianeiro, Bahya, eMinasGeraes. Etcoetera. (s)
== 26 ==
99. Antonio deProença, Moço daCamara do Infante Dom Luis, Irmão | deDom Ioaõ terceiro, ePedro deFigueiredo, Moço daCamara Real.
100. Depropozito seapontaõ as eras, emque os Sobreditos seencontraõ com=| oCaracter, outratamento deCavalleiros Fidalgos, para mostrar, que todos chegaraõ | aesta graduação antes doanno de 1572, emque Dom Sebastiaõ deo oRe=| gimento novo dos filhamentos.
101. Em nenhuma parte domundo se encontraõ nosCartorios os nomes | detodos os moradores das Villas, eCidades, nem bastaria, que nomeassem | osCartorios todos os Fidalgos, que assistirão nesta Capitania em os seus | primeiros annos, para sesaber, que elles tiverão oforo deFidalguia, comque | Martim Afonso povoou Saõ Vicente; ficando, por esta explicação, | muito bem mostrado, emelhor desvanecida amacula deCabocolos, comque | saõ tratados os Paulistas, quando nelles existe avaidade delhes fil=| trar nas veyas opuro Sangue detaõ Illustres Progenitores.
102. O exemplo das Ilhas daMadeira, eAssores, conduzio muita | gente boa para aquella Villa, por ser ella aprimeira Colonia de=| Portuguezes nomundo novo. Todos viaõ cazas muito opulen ||25v.|| [[opulentas]], eillustres possuidas por descendentes deNobres, eFidalgos, que | apobreza levou para astaes Ilhas noprincipio daSua Povoação, eaesperança de=| conseguirem amesma felicidade os moveo adeixarem Suas Patrias. Al=| guns brevemente conheceraõ oseu erro, evoltaraõ para aEuropa com odezenga=| no, deque no Brazil, onde atodos sedava degraça mais terra, doque lhes hera ne=| cessario, equanta os moradores pediaõ, ninguem teria necessidade dela=| vrar predios alheyos, obrigando-se aSolução deforos annuaes.
103. DosCompanheiros Nobres doprimeiro Donatario, que aqui ficaraõ, | dealguns, que ellemandou noprincipio, ede outros muitos, que vieraõ concorrendo pelo | tempo adiante, naõ só dePortugal, eIlhas, mas tambem deEspanha, quando | estavaõ unidas asduas Coroas, Compoem-se aNobreza destas Capitanias, | aqual se conservou pura, conhecida, emuito respeitada athé pouco depois | doDescobrimento dasMinas, principalmente emSaõ Paulo, eVillas deSer=| ra acima.
104. AosColonos, que oacompanharaõ, edepois chegaraõ notempo, que | assistio, consignou Martim Afonso, oterreno necessario, para edifficarem suas | Cazas naVilla deSaõ Vicente, epermitio que todos plantassem naIlha deste Santo, | onde quizessem. Por conhecer que sem negocio, eAgricultura nenhuma Co=| lonia seaugmenta, promoveo, quanto lhefoi possivel, estes dous ramos, intro=| duzindo todas as especies de animais domesticos, depois que foi aPirátinin=| ga, evio abondade dos seus Campos, para todaacreação, emandando vir daIlha da=| Madeira aplanta deCanas doces. Para que osLavradores aspudessem moer, | fabricou quazi nomeyo daSobredita Ilha hum Engenho d’Agua comCapella | dedicada aSaõ Iorge, oqual foi oprimeiro, que houve noBrazil: delle Sahio aSemen=| te deCanas para as outras Capitanias Brazilicas, assim como tambem sahi= ||26r.|| [[Sahiraõ]] de Saõ Vicente as Eguas, Vacas, eOvelhas, que propagaraõ em= | todas as mais. (t)
105. Consta por duas Escripturaz lavradas em Lisboa, e registadas noCar=| torio daFazenda Real, (u) que Martim Afonso deSouza, ePedro Lopes deSou=| za celebraraõ Contracto deSociedade com Ioaõ Veniste, FranciscoLobo, eoPilo=| to Mor Vicente Gonçalvez para o effeito delevantarem dous Engenhos nasCapita=| nias destes Donatarios, obrigando-se elles adarem asterras para isso neces=| sarias nasCapitanias respectivas; deSorte que noEngenho Construhido | naCapitania deMartim Afonso teria elle aquarta parte, ehuma cada | hum dostres Socios Ioaõ Veniste, FranciscoLobo, eoPilotoMor: da=| mesma forma seriaõ tres partes dos mencionados tres Socios, ehuma de=| PedroLopes no outro Engenho, que se erigisse nas Suas terras.
106. Foraõ varios os apelidos dosobredito Engenho, por terem sido tambem | diversos os seus domnos: noprincipio chamavaõ-lhe Engenho doSenhor Go=| vernador, por ser doDonatario; aodepois Engenho dos Armadores, eultima=| mente Saõ Iorge dos Erasmos: Martim Afonso, Francisco Lobo, eoPilloto | Mor, venderaõ suas partes aoAlemão Erasmo Scheter, ultimamente osfilhos | deste domno compraraõ tambem oquinhaõ de Ioaõ veniste, epor isso seficou | chamando o Engenho Saõ Iorge dos Erasmos.
107. Como nos annos mais proximos á Conquista todos os moradorez | principaes deSantos, eSaõ Vicente, seaplicavaõ alavoura, grassou aplanta=| çaõ dasCanas comtanta felicidade, que antes demuito tempo semultiplicarão | osEngenhos nodestricto deambas asVillas, donde secontaraõ onumero ||26v.|| [[de]] onze Engenhos.
108. Naõ obstante serem fabricados amayor parte destes En=| genhos antes daera de 1549, requereraõ neste mesmo anno os Morado=| res aDom Ioaõ terceiro que aCusta daReal Fazendamandasse levantar dous En=| genhos, para semoerem nellez asCanas dos Vezinhos, (x) oupor naõ serem | bastantes osque entaõ haviaõ, oupor estarem já dezertos, nesse tempo, os Situados | fora daIlha deSaõ Vicente. Faziaõ tanto apreço dalavoura dasCanaz | naquelle tempo, que os Provedores Mores davaõ Provizaõ ahum homem inteli=| gente, para examinar todo o effeito, eaos Officiaes, antes deentrarem aexcrei=| tar seus ministerios, (z) aCamara os obrigava ahirem nella jurar, deque | aproveitariaõ tudo quanto sefizesse. (a).
109. O preço ordinario dehuma arroba deAssucar fino, emais Subido, eraõ | 400 reis, eo Arros emCasca a 50 reis o alqueire, oque consta deEscripturas desse | tempo, eassim mesmo todos seoccupavão naplantação dos referidos generos.
110. Para fomentar oComercio iñstituhio Martim Afonso huma Socie=| dade mercantil, eaos Acionistas desta Companhia chamavaõ Armadores do=| tracto. (b) Supoem-se que nella entravão osSenhores doEngenho deSaõ Iorge, | eque oDonatario era omais interessado, por que sua mulher Dona Anna Pimentel | noanno de 1542 Constituhio Feitor daFazenda dotracto aoCapitam Mór | Christovaõ deAguiar. (c)
111. Os effeitos, que compravão aos Indios pagavaõ comferramentas, Con=| tas de vidro, buzios, eoutras bacatellas semelhantes, aque chamavaõ resgate, | eopreço doque sehavia devender aos Indios tachava aCamara deSaõ Vicente | nos annos mais proximos afundação. Conforme atacha custava ||27r.|| [[hum]] escravo 4$000 reis em resgates, vendidos áquelles mizeraveis por preços ex= | orbitantes. (d) Emduas Posturas daCamara prohibiraõ aos Brancos acom=| pra dos escravos porpreço, que excedesse otachado, epermitiraõ expressamente, | que delle para baixo seajustassem, como pudessem, por cuja tacha ficava o Indio in=| habilitado para vender por mais de 4$000 reis porfalta deCompradores, eaoBran=| co era licito marcar por menos.
112. Outro sim ordenarão, compenas graves, que nenhum Christão | fallace mal deoutro, oude suas mercadorias diante deGentios, edeclararaõ, | que para ficar provada atransgressaõ desta Ley, bastaria ojuramento dequal=| quer christão, que ouvisse detrahir, procurando por este meyo oconservar os=| Barbaros na ignorancia doSeu prejuizo. Querendo Dom Ioaõ terceiro evitar as=| fraudes mencionadas, ordenou aThome deSouza, primeiro Governador Geral do=| Estado, emhum Capitulo doseu Regimento, que elle, com os Donatarios, tachassem opreço | detodas as mercadorias; enaõ podendo oGovernador vir pessoalmente afazer esta deligencia, | Cometeo-a aoOuvidor Geral Pedro Borges. Este Ministro convocou | aoCapitam Mor Ouvidor, Camaristas actuaes, homens bons, eosdaGovernan=| ça, ecom oparecer detodos determinou ospreços dos resgates com mais equi=| dade naVilla Capital deSaõ Vicente aos 28 deIulho de 1550. (e)
113. Naõ satisfeito Martim Afonso comter explorado aCosta, | projectou conseguir alguma noção dosCertoens deste continente. Servin=| do-lhe deguia Ioaõ Ramalho, embarcou-se emSaõ Vicente, efoi passar oCa=| neû, aquella Bahya sempre deagua Salgada, aque aIunta daFazenda | Real deSaõ Paulo, com ignorancia affectada, supós Rio d’agua doce, | esem ordem daCorte expoliou aos Moradores daquellas Villas daposse | pacifica, emque seconservavaõ de onavegar livremente por mais dedous ||27v.|| [[Secu]]los, instituindo adita Iunta noGoverno doGeneral Martim Lo=| pez Lobo deSaldanha apassagem dodito Caneû fatal aVilla deSantos, Onoro=| zissima aos Habitantes deSerra acima, atodos osComerciantes, enociva aomesmo | Real Erario, por ser esta passagem contraria aoDireito dasGentes, eLeys doRei=| no dePortugal, onde nunca sepor emContracto aNavegação por agua Salgada, | nem ados Rios, que sesobem, oudessem, sem os atravessar, como fazem as Em=| barcaçoens, que Navegão pelo lagamar deSantos para os Portos dasVillas | deSerra acima, aque chamaõ Cubatoens.
114. Em hum destes Portos foi dezembarcar oprimeiro Donatario, | oqual lhedeo onome dePorto deSanta Cruz, trocando, por este apelido, oque=| antes tinha dePorto das Armadias, segundo declara odito Martim Afonso | naCarta deSesmaria, por elle concedida aRuy Pinto, (f) ehoje lhe=| chamão oPorto dePiassaguera, nome composto doSubstantivo Piassaba, | que Significa Porto, edo adjectivo Aguera, Couza velha. Aqui | deo principio á sua viagem para oCampo dePirátininga peloCaminho, | deque SeSirvirão os Portuguezes athé oanno de 1560, emque oGovernador Ge=| ral doEstado Mem deSá vindo aesta Capitania, ordenou que ninguem | ofrequentasse, por ser infestado deIndios nossos contrarios, substituindo | em seu lugar aestrada doCubataõ geral; (g) aque asSesmarias an=| tigas chamaõ Caminho doPadre Ioze, por ter aberto, ouconsertado o=| Veneravel Padre Ioze deAnchieta.
115. Subio aescabrozissima Serra doParanápeacaba, / este nome | quer dizer sitio onde sevé omar / em chegando aoPico della, conheceo | aimpropriedade, comque dera onome deRio deSaõ Vicente á barra des= ||28r.|| [[descoberta]] nodia deste Santo, pois ali havia dever, que astres Barras da= | Bertioga, Santos, eSaõ Vicente, naõ saõ Rios, mas sim tres Boqueiroens, | por onde O mar Brazilico vem formar hum espaçozo lagamar entre ater=| ra firme, easduas Ilhas deSaõ Vicente, eSanto Amaro.
116. Vencido finalmente oasperodoCaminho, etalves opeyor, | naquelle tempo, que havia nomundo, chegou Martim Afonso aoCam=| po dePirátininga, aonde seachava aos 10 deoutubro de 1532, eali aSignou | neste dia aSesmaria dePedro deGoes, lavrada por Pero Capico Escrivão | delRey. Examinou oterreno, doqual formou ideya muito van=| tajoza, mas por isso mesmo, tanto que se recolheo aSaõ Vicente deo hu=| ma providencia, ordenando, que nem a resgatar com os Indios pudes=| sem hir os Brancos aoCampo sem sua licença, oudosCapitaens se=| us Loco-Tenentes, aqual sedaria com muita circuñspecçaõ, eunicamente | aSugeitos bem morigerados. Desta regra geralissima só foi excep=| tuado Ioaõ Ramalho, oqual foi Situar-se meya legoa distante da=| Borda doCampo, nolugar, onde hoje existe, aCapelladeSaõ Bernar=| do.
117. A prohibiçaõ foi certa, como tambem necessaria dispensa | dequem tinha jurisdiçaõ igual ado prohibente para hir aoCampo.
Dona Anna Pimentel, como Procuradora doDonatario seu marido, | passou hum Alvará noanno de 1544, (h) dotheor Seguinte:
// Dona Anna Pimentel, mulher deMartim Afonso deSouza //
// Capitam Mor, eGovernador daPovoaçaõ daCapitania de= //
// Saõ Vicente, Costa doBrazil, que ora por seu expe= //
// cial mandado, eProvizaõ governo adita Capita= //
||28v.|| // [[Capitania]] etcoetera. Aos que este meu Alvará virem, e= //
// o conhecimento pertencer, faço saber, que euhey por bem, eme= //
// praz, que todos os moradores dadita Capitania deSaõ Vicente //
// possaõ hir, emandar resgatar aoCampo, eatodas outras //
// Couzas, eporem mando que notempo, emque os Indios //
// dodito Campo andaõ em Sua Santidade, nenhuma pes= //
// soa dequalquer qualidade, que seja, naõ possa hir //
// nem mandar aodito Campo, por ser informada, que //
// hé grande perigo para adita terra hirem lá emtal //
// tempo, etirando em este tempo, todo outro mandaraõ //
// ehiraõ com tanto, que sempre tomem licença doCapitaõ, //
// oudequem otal cargo tiver; enenhum Capitão, nem //
// Ouvidor lho naõ poderá tolher, naõ sendo notempo //
// que sedis emcima, eassim mando atodas as Iustiças //
// que guardem este, eofação guardar, porque assim //
// ohey por bem. Feito em Lisboa a 11 deFevereiro //
// de 1544.
118. Com duas vistas, ambas muito propria dos Olhos deMartim | Afonso, fes este Donatario aquella prohibição utilissima aoBem | Comum doReino, econducente ao augmento daSua Capitania.
Elle penetrou os verdadeiros interesses doEstado melhor doque alguns | modernos, eoSeu fim era, naõ só evitar guerras, mas tambem fo=| mentar aPovoação daCosta, pois naõ ignorava que Dom Ioaõ terceiro man=| dara fundar Colonias em Pais taõ remoto dePortugal com ointuito | de utilizar oEstado por meyo daexportação dosfructos Brazilicos, ecom ||29r.|| [[particu]]laridade aagricultura Maritima.
119. As funestas Consequencias domal conciderado Alvará deDona An=| na Pimentel, comprovou com evidencia oacerto daprohibiçaõ feita por Mar=| tim Afonso, pois tudo Succedeo, como receava este grande Politico sobre adezer=| taçaõ detoda aMarinha, para aPovoação dosCertoens. Creouce naBorda | doCampo aVilla deSanto Andre; deo-se principio adeSaõ Paulo, elogo des=| cahio adeSaõ Vicente: tambem adeSantos naõ fes osprogressos, que anun=| ciavaõ os seus augmentos nos annos mais proximos aSua fundação.
120. Quando seachava noCampo oprimeiro Donatario, oulogo depois | daSua volta para Saõ Vicente, chegaraõ áquelle Porto duas Caravelas do=| Rey, Commandadas por Ioaõ deSouza, enellas aCarta deDom Ioaõ terceiro para | Martim Afonso, que publicou oPadre Dom Antonio Caetano deSouza (i) | dotheor Seguinte
// Martim Afonso deSouza Amigo: Eu El Rey vos- //
// invio muito Saudar. Vi asCartas, que meescrevestes por Ioaõ //
// deSouza, epor ellas soube davossa chegada aessa terra do= //
// Brazil, ecomo hieis correndo aCosta Caminho doRio daPrata //
// eassim doque passaste com as Naos Francezas, dosCorsarios //
// que tomaste, etudo oque nisto fizeste, vos agradeço muito //
// efoi tambem feito, como sedevós esperava, eSaõ certo //
// que avontade, que tendes para me servir. A Náo, que cá //
// mandaste, quizera que ficasse antes lá com todos os que //
// nella vinhaõ, daqui emdiante, quando outras taes //
||29v.|| // [[Náos]] deCorsarios achar-des, tereis com ellas, ecom agente //
// dellas, amaneira, que por outra Provizaõ vos escrevo. Porque //
// folgaria saber as mais novas devós, edoque lá tendes feito, tinha //
// oanno passado mandado fazer prestes hum Navio, para setornar //
// Ioaõ deSouza para vós, equando foi detodo prestes, para poder //
// partir, era taõ tarde, para lá poder Correr aCosta, epor isso //
// setornou adezarmar, enaõ foi: Vay agora comduas Ca= //
// ravelas armadas para andarem comvosco, otempo, que vos //
// for necessario, efazerem oque lhe mandar-des; epor athé //
// agora naõ ter nenhum recado vosso doque noacento daterra //
// nem noRio daPrata tendes feito, naõ posso escrever adetermi= //
// nação, doque deveis fazer em vossa vinda, ou estada, nem couza //
// que aisso toque, eSomente recomendo-vos muito, que voslembre //
// agente, aArmada, que lá tendes, eoCusto, que secomella fes //
// efas, esegundo vos otempo tem Succedido, eoque tendes //
// feito, ou esperardes fazer, assim vosdetermineis emvossa //
// vinda, ou estada, fazendo oque melhor, emais meu Serviço //
// for, porque eu confio devós, que, noque acentardes, será o= //
// melhor: havendo deestar lá mais tempo, inviareis hu= //
// ma Caravella com recado vosso, eme escrevereis muito larga= //
// mente todo, oque athé entaõ tiver-des passado, eoque na= //
// terra achastes, eassim oque noRio daPrata, tudo muy //
// declaradamente, para eu por vossas Cartas, einfor= //
// maçoens saber, oque seaodiante deve fazer, ese= //
// vos parecer, que naõ hé necessario estardes lá mais //
// tempo, poder vos heis vir, porque pelaconfiança //
||30r.|| <[[que]]> em vós tenho, odeixo avos, que saõ certo, que nisso fareis //
// oque mais meu Serviço for. Depois davossa partida Se= //
// praticou, seseria meu Serviço povoar-se toda essa Costa //
// doBrazil, ealgumas pessoas me requeriaõ Capitanias //
// em terras della. Euquizera, antes denisso fazer couza //
// alguma, esperar porvossa vinda, para com vossa informação fazer //
// oque me bem parecer, eque na repartição, que disso sehouver //
// defazer, escolhais amelhor parte; e, porem, porque depois //
// fui informado, que dealgumas partes fazião fundamento de= //
// povoar aterra doBrazil, conciderando eu comquanto tra= //
// balho selançaria fora agente, que apovoace, depois deestar //
// acentada naterra, eter nella feitas muitas forças, como jâ //
// em Parnambuco começavaõ a fazer, segundo oConde deCas= //
// ta[n]heira vos escreverá, determinei demandar demarcar de= //
// Parnambuco athé oRio daPrata 50 legoas deCosta acada //
// Capitania, eantes de sedar anenhuma pessoa, mandei apar= //
// tar para vós cem legoas, epara PedroLopes, vosso Irmão, Sinco= //
// enta, nos melhores lemites dessa Costa por parecer dePi= //
// lotos, edeoutras pessoas, dequem seoConde por meu mandado //
// informar, como vereis pelas Doaçoens, que logo mandei fazer //
// que vos inviará, edepois deescolhidas estas 150 legoas //
// deCosta para vos, evosso Irmão, mandei dar aalgumas pessoas //
// que requeriaõ Capitanias deSincoenta legoas acada //
// huma, eSegundo se requerem, parece que sedará amayor //
// parte daCosta, etodos fazem obrigaçoens delevarem //
// gente, eNavios aSua Custa emtempo certo; como vos //
||30v.|| // [[oConde]] mais largamente escrevera, porque elle tem //
// cuidado deme requerer vossas couzas, eeu lhemandei //
// que vos escrevesse. NaCosta deAndaLuzia //
// foi tomada agora pelas minhas Caravelas, que //
// andavaõ naArmada doEstreito, huma Náo Fran= //
// ceza, carregada deBrazil, etrazida aesta Cidade, //
// aqual foi deMarcelha aParnambuco, edezembarcou //
// gente emterra, aqual destes huma Feitoria minha //
// que ahy estava, edeixou lá Setenta homens com tençaõ //
// depovoarem aterra, ede sedeffenderem, eoque eu tenho //
// mandado, que senisso faça, mandei aoConde, que volo escre= //
// vesse, para serdes informado detudo, oque passa, esehade fazer, //
// epareceo necessario fazer vo-lo saber para serdes avizado disso //
// eterdes tal vigilancia nessas partes por onde andaes, que vos //
// naõ possa acontecer nenhum máo recado, eque qualquer força //
// ouFortaleza, que tiverdes feita, quando nella naõ estiverdes, //
// deixeis pessoa, dequem confieis, que atenha abom recado, //
// ainda que eu creyo, que elles naõ tornarão lá mais afazer //
// outra tal, pois lhe esta naõ Succedeo, como cuidavão, emuy //
// declaradamente me avizai, oque fizerdes, ememandai //
// novas devosso Irmão, edetoda agente, que levaste, porque //
// comtoda aboa, que me inviardes, receberey muito prazer. //
// Pero Henriques afes em Lisboa a 28 deSetembro //
// de 1532 == Rey. ==
121. Esta Carta acelerou o regresso deMartim Afonso para aEuro ||31r.|| [[aEuropa]] mais cedo doque requeria ointeresse daSua nova Colonia, een= | trou logo adispor-se para sefazer aVela namonção de 1533, aprimeira, que | houve, depois dechegarem asCaravelas commandadas por Ioaõ deSouza.
A sua ultima acção memoravel noBrazil teve por objecto o descobrimento | deMinas. Constando-lhe por informaçoens dos Indios, que nas=| Vezinhanças deCananeya havia Ouro, apromptou huma Bandeira | de Oitenta homens, epor elles mandou examinar oSitio indicado das=| Minas, mas com Successo infelis, porque osBarbaros Carijos, Senhores | doPais aoSul doRio daCananeya, mataraõ aos exploradores dasMinas | antes de asdescobrirem. Nas vesporas doSeu embarque chegou | anoticia desta derrota, enaõ podendo pessoalmente castigar oinsulto, or=| denou que os agressores fossem punidos com maõ armada, ordenando | para Capitaens daGuerra osFidalgos Pedro deGoes, eRuy Pinto.
122. As circunstancias deste máo Successo ficaria Sepultado | notumulo do esquecimento, senaõ aparecesse noArchivodaCamara de=| Saõ Paulo huma petiçaõ dos Moradores deSantos, eSaõ Vicente, naqual | requererão aoCapitaõ Mór IeronimoLeitaõ em oannode 1585, que | sedeclarasse guerra aosCarijos, aSignando por motivodella ter morto | aquelle Gentio no espaço dequarenta annos mais decento eSincoenta | Europêos, assim Portuguezes, comoEspanhoes; tirado avida com=| ferós barbaridade adous Missionarios Iezuitas, eassassinado oi=| tenta homens, que Martim Afonso despachara para oCertaõ | adescobrimento deMinas, por cujo motivo ordenara odito Governa=| dor, quando seauzentou para oReino, que secontinuasse aguerra | pelos Fidalgos PedrodeGoes, eRuy Pinto. (L) <123>
||31v.|| [[123]]. Este cazo dos Exploradores, eoda rebeliaõ dos Indios destasCapi=| tanias contra oseu regulo Martim Afonso Teviriçâ, que sehade refe=| rir aSeu tempo, ambos desfigurados com circunstancias indignas de=| credito, deraõ motivo afabuloza Victoria, que deMartim Afonso de=| Souza conseguio oEspanhol Ruy Moschera, como quer persuadir | o Iezuita Frances Charlevoix naSua historia deParaguay. (m) diz elle:
// Sendo arruinada aTorre deGaboto pelos Indios Timbuis, //
// Ruy Moschera lhe havia feito algumas reparaçoens; //
// mas dezesperado deSenaõ poder aly conservar contra os In= //
// dios, tomou opartido deSe embarcar comaSua Tropa, //
// em huma pequena Embarcação, que ali conservava, //
// edesceo oRio athé omar, eseguio aCosta doNorte, //
// edescobrindo pela latitude de 32 graos hum Porto //
// Commodo, entrou, enelle fundou huma pequena For= //
// taleza etcoetera etcoetera. Poucos dias depois hum Cavalleiro //
// Portugues, chamado Duarte Pires, que havia sido de=
// gradado naquella vezinhança, selhe veyo unir com aSua //
// familia. Duarte Pires naõ esteve muito tempo //
// em Socego, por receber huma ordem doCapitaõ Gene= //
// ral doBrazil, emque omandava voltar aoSeu degredo, //
// edizer aRuy Moschera, que sequeria ficar, aonde //
// estava, devia prestar juramento defidelidade a- //
// ElRey dePortugal. Peres obedeceo; mas Mos= //
// chera respondeo deboca, que adivizão daAmerica //
// naõ estava ainda regulada entre osReys dePortugal //
||32r.|| // [[ede]] Espanha, eque emquanto onaõ era, estava rezoluto a= //
// seconservar noposto, que occupava. Faltavaõ-lhe Armas //
// e muniçoens; mas hum Navio Francez, tendo vindo aan= //
// corar nesta mediação detempo na Ilha daCananea defronte //
// doseu Forte, creo, poder aproveitar-se daOccaziaõ, para //
// semeter em estado dedeffensa, sefosse atacado. Embarcase //
// com todos os Espanhoes, eduzentos Indios em dous Bateis, //
// chega denoite aoNavio Frances, que rendeo, edezarmando //
// aequipagem á condus aSua Fortaleza. Poucos dias //
// depois foi advertido, que hum Corpo Concideravel de= //
// Portuguezes vinha por mar atacalo, quando os Portuguezes //
// eraõ somente oitenta, seguidos por hum exercito de In= //
// dios; porem taõ confiados nobom Successo, como quem //
// vay com Tropa aSurprender hum Bando de ladroens //
// mas apenas descobriraõ oForte, seacharaõ expostos //
// aos tiros daSua Artelharia, ecarregados pela recta guarda //
// pelos que sepuzeraõ de emboscada. O medo seapoderou //
// dos Indios, esecommunicou aos Portuguezes, etodos osque //
// escaparão doCanhaõ, foraõ passados aEspada. Mos= //
// chera, naõ satisfeito desta Victoria, embarcou-se com huma //
// parte dos seus valentes, eoutra de Indios nasEmbarcaço= //
// ens, emque tinhaõ vindo os Portuguezes, enavegava //
// afazer hum dezembarque noPorto deSaõ Vicente: //
// Elle saqueou aVilla, eos Armazens delRey com tanta //
// felicidade, que osPortuguezes, descontentes doGovernador //
// seuniraõ aelle. Depois deste Successo transportou //
||32v.|| // [[Moschera]] á sua pequena Colonia, aonde imaginava, //
// que onaõ viriaõ inquietar; mas naõ esteve aly muito //
// tempo, porque em 1537 chegou aBuenos Ayres //
// com toda asua Colonia, que tinha emSanta Catha= //
// rina, emuitas familias de Indios, que selhe haviaõ //
// unido.
124 Naõ hé crivel que Martim Afonso, heroe taõ conhe=| cido nomundo, tendo noPorto deSaõ Vicente, ás suas Ordens, huma | Armada guarnecida deSoldados veteranos, eCapitaens escolhidos, | se rendesse facilmente com vergonhoza Cobardia aquatro Espa=| nhoes Companheiros deMoschera, que todos couberaõ emhuma | pequena Embarcação, que lhes restava, quando deraõ principio | á sua fuga, como relata oproprio Charlevoix.
125. Hé verocimil, que este mizero Vagabundo despachasse | Comduas roncas os Inviados doGovernador Geral doBrazil, Sa=| bendo muito bem, que odito Governador podia hir atacalo com | asua Armada, ainda noextremo de elle seachar sem os iñstrumen=| tos necessarios para adeffensa.
126. Para seconhecer afalta decriterio comque Char=| levoix escreveo a historia deParaguay, basta dizer elle, que Mos=| chera havia levantado oseu Forte nalatitude de 32 graos, elogo | adiante constar, que oNavio Francês viera surgir junto as=| Ilhas deCananeya defronte daquella mesma Fortaleza. Claro ||33r.|| [[está]], que trasladou sem reflexaõ alguma, quem por este modo Seex= | poz aSer convencido denimiamente credulo.
127. O titulo, que Charlevoix dá aMartim Afonso, Supon=| do-o Capitão Geral doBrazil, mostra ser ignorante dahistoria | Brazilica, quem lhecommunicou as noticias, porque este Posto de=| Governador, eCapitaõ Geral doBrazil ainda seachava no estado | dafuturição quando Martim Afonso assistio emSaõ Vicente: | elle sim foi Governador daAmerica Luzitania, ainda naõ povoa=| da nesse tempo; porem nunca foi Governador Geral; Cuja digni=| dade nasceo naera de 1549, alguns annos depois daSua auzencia | para a India; equando Dom Ioaõ terceiro mandou fundar aCidade | daBahya, ordenando namesma occaziaõ, que osCapitaens da=| nova Cidade tivessem jurisdição sobre todas asCapitanias, eda=| qui nasceo chamarem Governadores, eCapitaens Geraes aosda=| Cidade doSalvador Bahya detodos osSantos.
128. Naõ sepode ocultar aadmiração daObediencia heroi=| ca dodegradado Duarte Perez, oqual existindo em lugar, onde | Martim Afonso naõ podia fazer respeitaveis assuas determi=| naçoens; por serem nesse tempo os Barbaros Tupins Senho=| res, epossuhidores dasterras, onde existia Peres, que Sendo=| lhe intimada aordem doTyranno, que onaõ podia constranger, | emandar para Sitio, onde sepunha em risco evidente deperder | avida, sem mais demora cumprio opreceito iniquo, estando | delle dezobrigado por Direito natural deexecutar omandado. <129>
||33v.|| [[129]]. Devemos crer, que este criminozo era mais Santo doque | todos os moradores deSaõ Vicente: elle deixou aCompanhia degen=| te Catholica, eCivilizada, por naõ querer transgredir asOrdens | doGovernador Geral doBrazil, eos Portuguezes daquella Villa todos | seuniraõ gostozos aoinimigo daSua Patria sem outra razaõ mais | doque ser cobarde aoCapitaõ Loco-Tenente doSeu Rey.
130. Charlevoix era Iezuita, tinha lido nos escriptos deSeuz | Socios asConquistas dos Paulistaz, eas Cores pateticas, comqueos=| Autorez daSua Ordem retractão as crueldades dostaes Paulistas, o=| enfurecerão detal Sorte contra os Moradores deSaõ Vicente, que lhe=| faltaraõ asluzes necessarias para discernir overdadeiro dofalso, co=| mo hé opersuadir, que todos os Moradores deSaõ Vicente abandonarão | ahum Governador taõ valerozo, como Martim Afonso deSouza, | por cauza daSua fraqueza, eSeuniraõ aMoschera.
131 O remate dafabula he muito engraçado: deviaõ supor | todos, que Moschera, depois deSever Senhor deSaõ Vicente, ea elle uni=| dos todos os Moradores, fizesse huma deduas: ou se estabelecesse | noPais, onde era taõ respeitado assim dos Portuguezes, como dos=| Indios, ou ordenasse aos Pilotos das Náos aprezadas, que oseguissem, | econstituidoGeneral daArmada Portugueza, enaõ Franceza, | fosse dar principio á Colonia, que intentava crear.
132. Em sevendo na eminencia, aque otinha elevado aSua | naõ esperada fortuna, entrou aSentir vertigens, e receou mayor ||34r.|| [[queda]]. O medo lhepertu[r]bou afantazia, formando naSua imagina= | çaõ Armadas poderozas, que haõ-de vir expulsalo, eatacar comforças, | que naõ possa rizistir: Moschera, aquelle varaõ intrepido, que naõ te-| meo osSoldados, nem aFrota deMartim Afonso, que rendeo oNavio | Francéz emdous Botez: que derrotou hum exercito composto deIndios, | ePortuguezes, naõ seachou com valor para rezistir asforsas Superiores, | que poderiaõ vir sem sesaber deonde?
133. Elle embarca sobresaltado os seus Espanhoes, eIndios nasCa=| noas, emque viera; fas-ce avella, evai parar na Ilha deSanta Cathari=| na, onde imagina que onaõ virião inquietar; naõ sedemorou muito tem=| po nesta Ilha, advertindo que naõ está seguro nella; torna aembarcar | aSua gente, retirasse para mais longe, enaõ entra noPorto deCana=| nêa por selembrar talvez, que perto delle havia dezembarcado Mar=| tim Afonso, quando foi aoRio daPrata? Em concluzaõ Mosche=| raassentou consigo, depois dederrotar aos Portuguezes, que só teria segu=| rança emterreno, onde elles naõ chegassem, efoi dar principio á Cidade | deBuenos Ayres na margem Austral doRio daPrata.
134. A Chronologia deCharlevoix demoñstra com evidencia | ser mera patranha tudo quanto referem deMoschera. Diz oPadre | que este Sugeito, quando se retirava deSaõ Vicente, dezembarcara | naIlha deSanta Catharina, naqual naõ sedemorara muito tem=| po, etornando logo aembarcar aSua Tropa, continuou aderrota | para Buenos Ayres, aonde chegou em 1537. Por estas con=| tas sahio deSaõ Vicente noproprio anno de 1537, porque asvia= ||34v.|| [[as viagens]] ordinarias para aquella Cidade fazem-se em muito menos de=| hum mez. Todos sabem que Martim Afonso naera de1534 sahio | deLisboa para aIndia com o emprego deCapitão Mor dos mares daAzia, | onde sedemorou alguns annos, sem nunca mais voltar aSaõ Vicente: | Seguesse, por innegavel consequencia, que este grande homem estava | naIndia, temido dos Principes mais poderozos doOriente, nomesmo | tempo, emque os Habitadores doParaguay o reprezentaõ abandonado | deSeus Vassallos emSaõ Vicente, eCaptivo deRuy Moschera.
135. O cazo infelis dosditos exploradores concorda em muitas cir=| cunstancias com as acçoens atribuidas aMoschera: O lugar doCon=| flicto, onumero dos Portuguezes mortos, eoGovernador, que os mandou, | saõ os mesmos em ambos osCazos. Charlevoix Supoem executada | aderrota navezinhança deCananea, onde Coloca aTorre deMoschera, | esuposto naõ declare apetição citada nonumero 122, olugar, onde osCa=| rijos assassinaraõ aos Emissarios deMartim Afonso, infere-se do=| seu destino, que foraõ desbaratados no reconcavo deCananêa.
Elles buscavaõ Minaz, easprimeiras, deque osPortuguezes tive=| raõ noticia nesta Costa, saõ, asque ficaõ aoNorte, eSul daVilla | deSaõ Ioaõ deCananêa.
136. A petiçaõ diz, que osCarijós mataraõ aoitenta explo=| radores deMinaz, e Charlevoix neste numero, sem mais differen=| ça, accrescenta aos oitenta Portuguezes, hum exercito de Indios, | para naõ faltar aoseu Costume denunca dizer averdade pu=| ra, quando falla dos Moradores daCapitania deSaõ Vicente. <137.>
||35r.|| [[137.]] A outra parte relativa aSublevação dos Moradores deSaõ Vicente, | unidos aMoschera, tambem se originou defacto verdadeiro. Decla=| rando Guerra aos Portuguezes pelos annos de 1562 osTupiñs, cujas ter=| ras demoravaõ entre os Rios de Itánheen, eCananêa, confederaraõ-se com | elles naõ só todas as Nasçoens de Indios mais proximos aSaõ Vicente, | mas tambem amayor parte dos Vassallos deTeviriçâ, osquais se rebelarão | contra elle, eincorporados noexercito contrario vieraõ sobre aAldeya | deSaõ Paulo, eacercarão, por naõ querer dezistir Teviriçâ da amizade | dos Portuguezes, aosquaes deffendeo valerozamente athé conseguir aVic=| toria, eafugentar os seus inimigos. Este regulo tomou noBap=| tismo onome deMartim Afonso, edahy nasceo afabula, adoptando | seu Autor por malicia, ou ignorancia aosPortuguezes deSaõ Vicente | contra oDonatario Martim Afonso Portuguez, aculpa dos Indios | dePiratininga, que abandonarão seu regulo Martim Afonso | Guayanâ.
138. Agora a razaõ porque o Impostor, quem quer, que | elle for, introduzio aMoschera nafabula, naõ sepode aSignar, se=| naõ por conjecturas. Bem pode ser, que este sugeito entrasse | nonumero devarios Espanhoes, que deraõ áCosta emdifferentes | tempos, navegando para oRio daPrata, echegando comvida ás=| Prayas dos Tupins, eCarijos, ficaraõ entre elles, eos ajudarão | nas suas guerras, como fes aquelle, que assistia com osCarijos, | evindo por Soldado, ouCapitaõ, noseu exercito adar batalha | aos Tupins, ficou captivo, eServiria depasto aos vencedorez, | seo Iezuita Pedro Correa onaõ livrasse dasCordas, com ||35v.|| [[comque]] otinhaõ prezo pelos annos de 1554. (n)
139. Supoem-se que achando-se Moschera nasterras dosCarijos | por occaziaõ dealgum naufragio, seconduzio arespeito dos oitenta | exploradores, como secomportou oseu Nascional ingrato, que | induzio aos mesmos Carijos atirarem avida cruelmente aos=| Missionarios Iezuitas Pedro Correa, eIoaõ deSouza (o).
Tambem pode ser, que oproprio Moschera aconcelhasse aosTu=| pins, eCarijos aguerra contra osPortuguezes, eque seachasse no=| exercito dosBarbaros, quando vieraõ Sitiar aPovoação, hoje | CidadedeSaõ Paulo. Pode ser finalmente, que acompa=| nhasse aosditos Carijos, ouTupins em alguma das muitas occa=| zioens, emque estes Barbaros por Mar assaltaraõ aos mora=| dores deSantos, eSaõ Vicente, que tinhaõ suas Fazendas jun=| toaPraya.
140. Seesta conjectura naõ agradar aquem escrever a Historia | destasCapitanias, despreze absolutamente as noticias deChar=| levoix; por quanto ahistoria deMoschera daSorte, que acontaõ | os Estrangeiros, nem foi, nem podia ser verdadeira.
A Villa deSaõ Vicente, desde oseu principio athé agora, nunca | foi comettida, nem por Indios, nem porEuropêos, excepto no=| anno de 1592 por Inglezes Piratas, que lhederaõ hum assalto | repentino, edepois de a roubarem aceleradamente, elargarem | fogo aCadeya, eaoutros edifficios, tornaraõ para os seus Na=| vios temerozos, deque lhes disputassem a retirada osMorado= ||36r.|| [[osMoradores]], osquais seachavão fora daVilla nasSuas Fazendas, e= | já vinhaõ concorrendo.
141. Entre varias acçoens Supostas, que os Historiadores adop=| taõ aMartim Afonso, naõ hé pouco importante adeter elle fun=| dado asquatro Villas mais antigas daSua Capitania, aSaber: | Saõ Vicente, Porto deSantos, Saõ Paulo, eade Itánheen. A=| verdadehé, que unicamente Saõ Vicente podegloriar-se detaõ Illus=| tre Fundador: O terreno das outras trez deixou elle em mato virgem, | quando se auzentou para oReino, etinha já navegado para aIndia, | quando seabriraõ osSeus alicerces.

Arquivo da Transcrição

Crédito

Códice E11571 do Arquivo do Estado de São Paulo

Manuscrito: História da Província de São Paulo

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