[Queixa de Brasilina Rodrigues contra Antonio de Oliveira e outro. Testemunho – 1893]
-Assentada- <28> || Aos quatro de setembro de mil oito | centos e noventa e tres, nesta cida-| de de São Paulo, ás onze horas da | manhã, em audiencia extra-| ordinaria do Meritissimo Juiz de Direito da Quinta Vara Cri-| minal Doutor Clementino de | Souza e Castro, como se vê do | termo retro transcripto do pro- >| tocollo, em presença das partes | e seus advogados menciona-| dos no mesmo termo de audien-| cia, proseguiu-se n’ este proces-| so, inquirindo-se uma teste-| munha da accusação, como | segue-se. Eu, Joaquim Borges da | Cunha, Escrivão, escrevi. || -5.ª Testemunha da Autora- || Anna Gonzalez, de vinte e seis <4 # 5 vo> | annos de idade, casada, natu-| ral da Hespanha, residente | nesta Capital, á rua Chavantes | numero um. Aos costumes dis-| se nada. Testemunha jurada | na forma da lei, promettendo | dizer a verdade do que souber | e lhe for perguntado. Inquiri-
| da pelo Juiz, sobre o conteudo | da petição de queixa, que lhe | foi lida? Disse que no dia e || 1 v. || hora a que se refere a queixa, | achando-se ella depoente em | sua casa, que fica proxima a casa | da offendida, ouvio umas pala-| vras deshonestas como “puta, | cangaia”, et cetera, e vio dois ho-| mens agarrando em uma mu-| lher que não conhece, dando | um d’elles pancadas com os | punhos fechados, no peito d’el-| la; depois, quando ella subia | uma escada, vio um d’elles, o | Senhor Antonio, dar um ponta-| pé n’essa mesma Senhora, que | pedia ou clamava por testemu-| nhas. Disse mais que a casa | d’ella depoente fica á esquerda | da casa onde se deu o facto, | de onde se póde observar o | que se passa no quintal da | mesma casa onde se deu o | facto; que as palavras injurio-| sas que referio foram dirigidas por um dos accusados foram | dirigidas á Senhora a quem se | referio e que as pessoas que por | ventura n’essa occasião passa-| ram pela rua ou ahi se acha-| vam poderiam ter visto [ilegível] di-| go visto e ouvido o facto, por-| quanto existe apenas uma cer-| ca de taquara, na rua. Sob | repergunta do segundo advo-|| 2 r. || gado dos réos, disse mais que | a queixosa morava na mesma | casa que os accusados, não sa-| bendo se elles são proprietarios | ou simplesmente locatarios. | Disse que não ouvio a queixosa | dizer nenhuma palavra inju-| riosa aos accusados ou pes-| soa de sua familia; que, pelo | contrario, quando o Senhor | Antonio dava ponta-pés na | queixosa, a filha do Senhor | Antonio dizia á queixosa pa-| lavras injuriosas como aci-| ma se referio; que não conhe-| ce a queixosa, nem sabe seu | nome, nem de que nacionali-| dade é. Disse o segundo advo-| gado dos réos que contestava | o depoimento d’esta testemu-| nha por faltar á verdade, | o que está provado por seu | proprio depoimento, pois sen-| do ambas, autora e testemu-| nha, hespanholas e entretendo |relações de amizade, ella tes-| temunha declarou que não | conhecia a Autora e não | sabia qual sua nacionali-| dade, o que se provará em tem-| po, contestação esta que foi | corroborada pelo primeiro | advogado dos réos. Disse a || 2 v. || testemunha que ha um mez | estando em Buenos-Ayres, che-| gára a esta cidade e por isso | não conhece a Autora, não é | sua amiga, sendo o seu depoi-| mento a verdade do que ou-| vio e presenciou. Lido, acha-| do conforme, assignam, sendo | arogo da depoente que declarou | não saber escrever, João Lealma-| gno e arogo do réo Antonio de | Oliveira, por igual motivo, o seu | advogado Doutor Monteiro de Bar-| ros. Eu, Joaquim Borges da Cunha, | Escrivão, escrevi.
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