[Testamento particular de Iolanda Mendes do Amaral – 1854]
Eu Iolanda Mendes do Amaral, estando em pé, de saude, | e em meo perfeito juizo, e o [?], e temendo a morte, | que esta dor é natural, resolvi faser este meo testamento, da | maneira e forma seguintes. || Declaro que sou natural d’esta Cidade. Filha | do Coronel José Mendes da Costa, já falecido. Declaro que | fui casada com Mathias de Sequeira Barreto, também já fa-| lecido amuitos annos, de cujo matrimonio tive um filho que | faleceu poucos dias de pois de seu nascimento, e por isso não | tenho herdeiros ascendentes, ou descendentes que possão su-| seder em meos bens, e me é livre dispor do que tenho, e | faço pela maneira seguinte. Declaro que deixo a Dona Ma-| ria Genoveza do Amaral, o crioulinho Benedito, de | edade de seis para sette annos, filho de minha escrava | Anna, oqual crioulinho servirá a mesma Dona Maria | Genoveza do Amaral, até elle completar a edade de | quarenta annos, e em chegando a essa edade, a mesma | Senhora, ou seus herdeiros, lhe passará carta de liberda- | de, afim de que elle possa gosar a ella como lhe a-| prouver. Declaro que deixo a minha escrava Anna | mãe do ditto crioulo Benedito a Dona Maria das Dores | do Amaral Fontoura, a quem instituo por minha | universal herdeira, e pesso ámesma que queira assei-| tar em recompensa de tantos beneficios que me tem | feito me tratando e curando de mim [quantos ?]. ||1 v. || Declaro que quero ser enterrada na minha ordem 3.ª de | Nossa Senhora do Carmo, onde sou Irmã Terceira, e que se diga | umã missa de Corpo presente pela minha alma, e bem assim | mais uma missa [?] minha alma ao Senhor dos Passos, outra a | Nossa Senhora do Rosario, e outra ao Santissimo Sacramento, e | mais [dase] missas pela minha alma. || Estas são as minhas disposições, e por este meo testamento, | revogo todos os mais, e mesmo quau quer escriptura quer | publica, ou particular que por ventura antes d’este | tenha passado. Nomeio por meos testamenteiros em | primeiro lugar a Senhora Dona Maria das Dores do Amaral | Fontoura, em segundo lugar ao Senhor Ubaldino Bene-| venuto de Toledo Ribas, e em terceiro lugar ao Luís Joa-| quim Gomes d’ Almeida, aos quais pesso que por ser-| viço a Deos, e por me faserem merçe que irão ser meos | testamenteiros, e para as contas em juiso lhes assigno apra-| so da leÿ. E por ser esta a minha ultima vontade, pe-| di a Candido Ribeiro dos Santos que este por mim escrevesse | e eu só mente assignasse de meo pro prio punho. São Paulo aos | 10 de Janeiro de 1854.
[Assinatura]